Denzinger · DH 1690

DH 1690

E, realmente, a razão da justiça divina parece requerer que os que por ignorância pecaram antes do batismo recebam do Senhor a graça de outro modo que os que, uma vez libertos da escravidão do pecado e do demônio e tendo recebido o dom do 434 Espírito Santo, cientes do que fazem, não recearam de violar o templo de Deus [cf. 1Co 3,17] e contristar o Espírito Santo [cf. Ef 4,30]. Condiz também com a divina clemência que os pecados não nos sejam perdoados sem alguma satisfação, a fim de que, por julgar leves os pecados, não caiamos em maiores culpas quando se apresenta a ocasião, <mostrando-nos> injuriosos e ultrajantes ao Espírito Santo [cf. Hb 10,29], entesourando assim ira para o dia da ira [cf. Rm 2,5; Tg 5,3]. Estas penas satisfatórias servem certamente para afastar consideravelmente o pecado e constituem como que um freio para reprimir os penitentes, fazendo-os mais acautelados e vigilantes para o futuro e curando também as seqüelas do pecado com atos de virtude que contrariam os hábitos viciosos adquiridos por uma vida errada. E nunca na Igreja de Deus se entendeu haver caminho mais seguro para afastar o iminente castigo do Senhor do que a prática destas obras de penitência com verdadeira dor de alma [cf. Mt 3,28; 4,17; 11,21 etc.]. A isto acresce que, quando satisfazemos padecendo pelos pecados, fazemo-nos conformes a Cristo Jesus, que satisfez pelos nossos pecados [cf. Rm 5,10; 1Jo 2,1s], “do qual procede toda a nossa suficiência” [cf. 2Co 3,5], e daí recebemos uma garantia altamente segura de que, se padecemos com ele, com ele seremos glorificados [cf. Rm 8,17].

Latim

Sane et divinae iustitiae ratio exigere videtur, ut aliter ab eo in gratiam recipiantur, qui ante baptismum per ignorantiam deliquerint; aliter vero, qui semel a peccati et daemonis servitute liberati, et accepto Spiritus Sancti dono, scientes templum Dei violare [cf. 1 Cor 3,17] et Spiritum Sanctum contristare [cf. Eph 4,30] non formidaverint. Et divinam clementiam decet, ne ita nobis absque ulla satisfactione peccata dimittantur, ut, occasione accepta, peccata leviora putantes, velut iniurii et contumeliosi Spiritui Sancto [cf. Hbr 10,29], in graviora labamur, thesaurizantes nobis iram in die irae [cf. Rm 2,5; Iac 5,3]. Procul dubio enim magnopere a peccato revocant, et quasi freno quodam coercent hae satisfactoriae poenae, cautioresque et vigilantiores in futurum paenitentes efficiunt; medentur quoque peccatorum reliquiis, et vitiosos habitus male vivendo comparatos contrariis virtutum actionibus tollunt. Neque vero securior ulla via in Ecclesia Dei umquam existimata fuit ad amovendam imminentem a Domino poenam, quam ut haec paenitentiae opera [cf. Mt 3,2 8; 4,17; 11,21] homines cum vero animi dolore frequentent. Accedit ad haec, quod, dum satisfaciendo patimur pro peccatis, Christo Iesu, qui pro peccatis nostris satisfecit [cf. Rm 5,10; 1 Io 2,1s], ex quo omnis nostra sufficientia est [cf. 2 Cor 3,5], conformes efficimur, certissimam quoque inde arrham habentes, quod, si compatimur, et conglorificabimur [cf. Rm 8,17].

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