DH 1906
nado decreto de 17 de junho de 1906 que se podia afirmar que Moisés “para compor sua obra se serviu de documentos escritos ou de tradições orais” e admitiram-se também modificações ou acréscimos posteriores a Moisés [*3396s]. Hoje ninguém põe em dúvida a existência de tais fontes ou nega um acréscimo progressivo das leis mosaicas, devido às circunstâncias sociais e religiosas dos tempos ulteriores, progressão que se manifesta também nos relatos históricos. Todavia, mesmo no campo dos exegetas não católicos, se professam hoje em dia opiniões muito divergentes a respeito da natureza e do número de tais documentos, sua denominação e data. Nem sequer faltam em diferentes países autores que, por razões puramente críticas e históricas, e sem intenção apologética alguma, rechaçam resolutamente as teorias mais em voga até agora e buscam a explicação de certas particularidades redacionais do Pentateuco não tanto na diversidade dos pressupostos documentos quanto na psicologia especial, nos procedimentos particulares, melhor conhecidos hoje, do pensamento e da expressão dos orientais, ou também no diferente gênero literário postulado pela diversidade das matérias. Por isso convidamos os peritos católicos a estu- à dar este problema, sem preconceito algum, à luz de uma sã crítica e dos resultados das outras ciências interessadas nestas matérias, e este estudo estabelecerá sem dúvida a grande contribuição e a profunda influência de Moisés como autor e como legislador. Muito mais obscura e complexa é a questão das f o r m a s l i t e rá r i a s d o s o n z e p r i m e i r o s c a - p í t u l o s d o G ê nesis. Estas formas literárias não respondem a nenhuma das nossas categorias clássicas e não podem ser julgadas à luz dos gêneros literários greco-latinos ou modernos. Não se lhes pode, por conseguinte, nem negar nem afirmar em bloco a historicidade, sob pena de aplicar-lhes indevidamente as normas de um gênero literário do 849 qual não abrangem. Se se admite que nestes capítulos não se encontra história no sentido clássico e moderno, deve-se confessar também que os dados científicos atuais não permitem dar uma solução positiva a todos os problemas que colocam. O primeiro dever que incumbe, aqui, à exegese científica consiste antes de tudo no estudo atento de todos os problemas literários, científicos, históricos, culturais e religiosos relacionados com estes capítulos; depois seria preciso examinar de perto os procedimentos literários dos antigos povos orientais, sua psicologia, seu modo de se expressar e a própria noção de verdade que eles tinham; numa palavra, seria preciso reunir, sem preconceito, todo o material das ciências paleontológica, histórica, epigráfica e literária. Só assim pode-se esperar ter mais clareza quanto à verdadeira natureza de certos relatos dos primeiros capítulos do Gênesis. Declarar a priori que seus relatos não contêm história no sentido moderno da palavra deixaria facilmente entender que não o contêm em sentido nenhum, quando na realidade contam, em linguagem simples e figurada, adaptada às inteligências de uma humanidade menos desenvolvida, as verdades fundamentais pressupostas para a economia da salvação, ao mesmo tempo que a descrição popular das origens da humanidade e do povo eleito. o comunismo
la Commission Biblique reconnaissait déjà que l’on pouvait affirmer que Moïse, “pour composer son ouvrage, s’est servi de documents écrits ou de traditions orales” et admettre aussi des modifications et additions postérieures à Moïse [*3396s]. Il n’est plus personne aujourd’hui qui mette en doute l’existence de ces sources et n’admette un accroissement progressif des lois mosaïques dû aux conditions sociales et religieuses des temps postérieurs, progression qui se manifeste aussi dans les récits historiques. Cependant, même dans le camp des exégètes noncatholiques, des opinions très divergentes sont professées aujourd’hui touchant la nature et le nombre de ces documents, leur dénomination et leur date. Il ne manque même pas d’auteurs, en différents pays, qui pour des raisons purement critiques et historiques, sans aucune intention apologétique, rejettent résolument les théories les plus en vogue jusqu’ici et cherchent l’explication de certaines particularités rédactionnelles du Pentateuque, non pas tant dans la diversité des documents supposés, que dans la psychologie spéciale, dans les procédés particuliers, mieux connus aujourd’hui, de la pensée et de l’expression des anciens Orientaux, ou encore dans le genre littéraire différent postulé par la diversité des matières. C’est pourquoi nous in[47]vitons les savants catholiques à étudier ces problèmes sans partipris, la lumière d’une saine critique et des résultats des autres sciences intéressées dans ces matières, et une telle étude établira sans doute la grande part et la profonde influence de Moïse comme auteur et comme législateur. La question des f o r m e s l i t té r a i r e s d e s o n z e premiers chapitres de la Genè s e est bien plus obscure et complexe. Ces formes littéraires ne répondent à aucune de nos catégories classiques et ne peuvent pas être jugées à la lumière des genres littéraires grécolatins ou modernes. On ne peut donc en nier ni affirmer l’historicité en bloc sans leur appliquer indûment les normes d’un genre littéraire sous lequel ils ne peuvent pas être classés. Si l’on s’accorde à ne pas voir dans ces chapitres de l’histoire au sens classique et moderne, on doit avouer aussi que les données scientifiques actuelles ne permettent pas de donner une solution positive à tous les problèmes qu’ils posent. Le premier devoir qui incombe ici à l’exégèse scientifique consiste tout d’abord dans l’étude attentive de tous les problèmes littéraires, scientifiques, historiques, culturels et religieux connexes avec ces chapitres; il faudrait ensuite examiner de près les procédés littéraires des anciens peuples orientaux, leur psychologie, leur manière de s’exprimer et leur notion même de la vérité historique; il faudrait, en un mot, rassembler sans préjugés tout le matériel des sciences paléontologique et historique, épigraphique et littéraire. C’est ainsi seulement, qu’on peut espérer voir plus clair dans la vraie nature de certains récits des premiers chapitres de la Genèse. Déclarer a priori que leurs récits ne contiennent pas de l’histoire au sens moderne du mot, laisserait facilement entendre qu’ils n’en contiennent en aucun sens, tandis qu’ils relatent en un langage simple et figuré, adapté aux intelligences d’une humanité moins développée, les vérités fondamentales présupposées à l’économie du salut, en même temps que la description populaire des origines du genre humain et du peuple élu. 3865: Decreto do S. Ofício, 28 jun. (1 jul.) 1949 Ed.: AAS 41 (1949) 334. Decreto contra