Denzinger · DH 294

DH 294

(Cap. 4) O Filho de Deus entra, portanto, no que no mundo é fraco, descendo da sede celeste sem abandonar a glória do Pai, gerado numa ordem nova, num novo nascimento. Numa ordem nova: porque, invisível no que é seu, se fez visível no que é nosso; incompreensível, quis ser compreendido; permanecendo antes dos tempos, começou a existir no tempo; Senhor de todas as coisas, assumiu a forma de servo, cobrindo com sombra a imensidão da sua majestade; Deus impassível não desdenhou ser homem passível; e imortal, <não desdenhou> sujeitar-se às leis da morte 1 . Gerado, mas num novo nascimento: porque a virgindade inviolada ignorou a concupiscência e ofereceu a matéria da carne 2 . Da mãe do Senhor foi assumida a natureza, não a culpa 3 ; e no Senhor Jesus Cristo nascido do seio da Virgem a natureza não é diferente da nossa por ser admirável o <seu> nascimento. De fato, ele que é verdadeiro Deus é ao mesmo tempo verdadeiro homem, e nesta unidade não há mentira alguma 4 , enquanto são imutáveis a humildade do homem e a elevação da divindade. Pois assim como Deus não muda pela misericórdia, assim o homem não é absorvido pela dignidade. De fato, cada uma das duas formas opera em comunhão com a outra o que lhe é próprio: isto é, o Verbo opera o que é do Verbo, a carne opera o que é da carne. Dessas <realidades>, uma brilha nos milagres, a outra é submetida nos ultrajes. E como o Verbo não abandona a igualdade da glória do Pai, também a carne não abandona a natureza do nosso gênero.

Latim

(c. 4) Ingreditur ergo haec mundi infirma Filius Dei, de caelesti sede descendens et a paterna gloria non recedens, novo ordine, nova nativitate generatus. Novo ordine: quia invisibilis in suis, visibilis est factus in nostris, incomprehensibilis voluit comprehendi; ante tempora manens esse coepit ex tempore; universitatis Dominus servilem formam obumbrata maiestatis suae immensitate suscepit; impassibilis Deus non dedignatus est homo esse passibilis et immortalis mortis legibus subiacere 1 . Nova autem nativitate generatus: quia inviolata virginitas concupiscentiam nescivit, carnis materiam ministravit 2 . Assumpta est de matre Domini natura, non culpa 3 ; nec in Domino Iesu Christo, ex utero virginis genito, quia nativitas est mirabilis, ideo nostri est natura dissimilis. Qui enim verus est Deus, idem verus est homo, et nullum est in hac unitate mendacium 4 , dum invicem sunt et humilitas hominis et altitudo divinitatis. Sicut enim Deus non mutatur miseratione, ita homo non consumitur dignitate. Agit enim utraque forma cum alterius communione quod proprium est: Verbo scilicet operante quod Verbi est, et carne exsequente quod carnis est. Unum horum coruscat miraculis, aliud succumbit iniuriis. Et sicut Verbum ab aequalitate paternae gloriae non recedit, ita caro naturam nostri generis non relinquit.

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