Denzinger · DH 3293

DH 3293

É esta a antiga e constante fé da Igreja, definida também por sentença solene nos Concílios de Florença [cf. *1334] e de Trento [cf. *1501-1508] e, 704 por fim, confirmada e mais expressamente declarada no Concílio Vaticano, que promulgou sem restrição: “Os livros do Antigo e do Novo Testamento … têm Deus por autor” [*3006]. Por isso não tem sentido dizer que o Espírito Santo se tenha servido de homens como de instrumentos para escrever, como se, não certamente ao autor primeiro, mas aos escritores inspirados, tivesse podido escapar algo errado. Pois foi ele mesmo quem, por virtude sobrenatural própria, de tal modo os impeliu a escrever, de tal modo os assistiu ao escreverem, que deviam conceber no seu espírito corretamente e querer consignar com propriedade e expressar com verdade infalível o que ele ordenasse; senão, não seria ele o autor de toda a Sagrada Escritura. A tal ponto todos os Padres e Doutores estavam plenamente convencidos de que as divinas Letras, tais como foram publicadas pelos hagiógrafos, estavam absolutamente livres de todo erro, que …, com não menor sutileza que consciência religiosa, se empenharam em compor e conciliar entre si as não poucas coisas … que pareciam conter alguma contradição ou dessemelhança; eram eles unânimes em professar que aqueles livros, no conjunto e em cada uma de suas partes, procediam por igual da divina inspiração, e que o próprio Deus, que havia falado pelos autores sagrados, absolutamente nada podia ter dito que fosse alheio à verdade. Vale em geral o que o mesmo Agostinho escreveu a Jerônimo: “… Se tropeço nestas Letras em algo que pareça contrário à verdade, não duvidarei de que ou o manuscrito está alterado, ou o tradutor não alcançou o que foi dito, ou que eu mesmo não entendi nada” 1 . …

Latim

Haec est antiqua et constans fides Ecclesiae, sollemni etiam sententia in Conciliis definita Florentino [cf. *1334] et Tridentino [cf. *1501-1508], confirmata denique atque expressius declarata in Concilio Vaticano, a quo absolute edictum: “Veteris et Novi Testamenti libri … Deum habent auctorem” [*3006]. Quare nihil admodum refert, Spiritum Sanctum assumpsisse homines tamquam instrumenta ad scribendum, quasi, non quidem primario auctori, sed scriptoribus inspiratis quidpiam falsi elabi potuerit. Nam supernaturali ipse virtute ita eos ad scribendum excitavit et movit, ita scribentibus adstitit, ut ea omnia eaque sola, quae ipse iuberet, et recte mente conciperent et fideliter conscribere vellent et apte infallibili veritate exprimerent: secus non ipse esset auctor sacrae Scripturae universae. … Atque adeo Patribus omnibus et Doctoribus persuasissimum fuit, divinas Litteras, quales ab hagiographis editae sunt, ab omni omnino errore esse immunes, ut propterea non pauca illa, quae contrarii aliquid vel dissimile viderentur afferre …, non subtiliter minus quam religiose componere inter se et conciliare studuerint; professi unanimes, libros eos et integros et per partes a divino aeque esse afflatu, Deumque ipsum per sacros auctores elocutum nihil admodum a veritate alienum ponere potuisse. Ea valeant universe quae idem Augustinus ad Hieronymum scripsit: “… Si aliquid in eis offendero Litteris, quod videatur contrarium veritati, nihil aliud quam vel mendosum esse codicem, vel interpretem non assecutum esse quod dictum est, vel me minime intellexisse non ambigam” 1 . …

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