Denzinger · DH 3339

DH 3339

A necessidade … do sacrifício faz parte da própria índole e natureza da religião. … Quando se afastam os sacrifícios, nenhuma religião pode ain- 721 da existir ou sequer ser pensada. A Lei do Evangelho não é inferior à Lei antiga; ao contrário, é bem mais eminente, já que levou à plenitude de maneira mais eminente o que esta <Lei antiga> havia iniciado. Ora, os sacrifícios em voga no Antigo Testamento significavam já de antemão o sacrifício consumado na cruz, muito antes que Cristo nascesse; depois de sua ascensão ao céu, este mesmo sacrifício é continuado pelo sacrifício eucarístico. Por isso, os que a este rejeitam enganam-se imensamente, como se ele diminuísse a verdade e a força do sacrifício consumado por Cristo pregado na cruz, “oferecido uma vez por todas para tirar os pecados de muitos” [Hb 9,28]. Esta expiação pelos mortais foi de todo perfeita e absoluta, e não é outra, mas esta mesma que está presente no sacrifício eucarístico. Como, de fato, o rito sacrifical devia sempre estar ligado à religião, foi o desígnio do Redentor que o sacrifício, consumado uma vez por todas sobre a cruz, se tornasse perpétuo e perene. A razão desse caráter perpétuo, porém, é inerente à santíssima Eucaristia, que não apresenta apenas uma vã semelhança ou comemoração da realidade, mas a realidade mesma, embora em forma diferente; e por isso toda a eficácia deste sacrifício, seja para impetrar, seja para expiar, provém inteiramente da morte de Cristo.

Latim

Necessitatem … sacrificii vis ipsa et natura religionis continet. … Remotisque sacrificiis nulla nec esse nec cogitari religio potest: Lege veteri non est lex inferior Evangelii; immo multo praestantior, quia id cumulate perfecit, quod illa inchoarat. Iamvero sacrificium in Cruce factum praesignificabant sacrificia in Testamento veteri usitata, multo ante quam Christus nasceretur: post eius ascensum in caelum idem illud sacrificium sacrificio eucharistico continuatur. Itaque vehementer errant, qui hoc perinde respuunt, ac si veritatem virtutemque sacrificii deminuat, quod Christus, cruci suffixus, fecit; “semel oblatus ad multorum exhaurienda peccata” [Hbr 9,28]. Omnino perfecta atque absoluta illa expiatio mortalium fuit; nec ullo modo altera, sed ipsa illa in sacrificio eucharistico inest. Quoniam enim sacrificalem ritum comitari in omne tempus religioni oportebat, divinissimum fuit Redemptoris consilium, ut sacrificium, semel in Cruce consummatum, perpetuum et perenne fieret. Huius autem ratio perpetuitatis inest in sacratissima Eucharistia, quae non similitudinem inanem memoriamve tantum rei affert, sed veritatem ipsam, quamquam specie dissimili, proptereaque huius sacrificii efficientia sive ad impetrandum sive ad expiandum ex morte Christi tota fluit.

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