Denzinger · DH 3815

DH 3815

Note-se também que se trata, aqui, de um mistério abscôndito, que neste exílio terrestre nunca poderá ser desvelado totalmente ou inteiramente penetrado, nem explicado em linguagem humana. Dizse que as Pessoas divinas habitam nas almas criadas dotadas de intelecto, na medida em que, presentes nelas de modo imperscrutável, por elas são atingidas por via do conhecimento e do amor 1 , de modo porém absolutamente íntimo e singular, que transcende a natureza humana. Para formarmos disto uma idéia ao menos aproximativa, não devemos descurar o caminho e método que o Sínodo Vaticano [sessão 3ª, Constituição sobre a Fé Católica, cap. 4; *3015] tanto recomenda nestas matérias e que, para obter uma luz com que se possa vislumbrar alguma coisa dos arcanos de Deus, alcança isso ao comparar os mistérios um com outro e com o fim supremo a que se dirigem. Por isso, Nosso sapientíssimo predecessor, de feliz memória, Leão XIII, tratando desta nossa união com Cristo e da inabitação do Espírito Paráclito em nós, mui oportunamente fixa os olhos na visão beatífica, que um dia, no céu, completará e consumará esta união mística. “Esta admirável união, diz ele, que recebe o nome de inabitação, só pela condição ou estado difere daquela <união> com que Deus abraça os que habitam no céu, dando-lhes a bem-aventurança” 2 . Naquela visão poderemos, com os olhos da mente iluminados pela luz superna, contemplar de modo totalmente inefável o Pai, o Filho e o Divino Espírito, assistir de perto por toda a eternidade às processões das divinas Pessoas e gozar de uma bemaventurança muito semelhante àquela que faz bem-aventurada a santíssima e indivisível Trindade. na vida espiritual

Latim

Animadvertant quoque necesse est, hac in causa de occulto mysterio agi, quod in hoc terrestri exsilio, velamine quolibet detectum, omnino introspici, humanaque lingua significari numquam possit. Inhabitare quidem Divinae Personae dicuntur, quatenus in creatis animantibus intellectu praeditis imperscrutabili modo praesentes, ab iisdem per cognitionem et amorem [232] attingantur 1 , quadam tamen ratione omnem naturam transcendente, ac penitus intima et singulari. Ad quam quidem intuendam ut parumper saltem accedamus, non illa via ac ratio neglegenda est, quam Vaticana Synodus [sessio III, Constitutio de fide catholica, cap. 4; *3015] in id genus rebus valde commendat; quae quidem ad hauriendam lucem contendens, qua Dei arcana paullisper saltem internoscantur, id assequitur, mysteria eadem inter se comparans et cum supremo fine, quo dirigantur. Opportune igitur sapientissimus decessor Noster felicis recordationis Leo XIII, cum de hac nostra cum Christo coniunctione deque Divino nos inhabitante Paraclito loqueretur, ad beatam illam visionem oculos convertit, qua aliquando in caelis haec eadem mystica copulatio consummationem suam perfectionemque consequetur. “Haec mira coniunctio, inquit, quae suo nomine inhabitatio dicitur, condicione tantum seu statu ab ea discrepat, qua caelites Deus beando complectitur” 2 . Qua quidem visione, modo prorsus ineffabili fas erit Patrem, Filium Divinumque Spiritum mentis oculis superno lumine auctis contemplari, divinarum Personarum processionibus aeternum per aevum proxime adsistere, ac simillimo illi gaudio beari, quo beata est sanctissima et indivisa Trinitas. Tendências errôneas

Abrir no Denzinger completo →