Denzinger · DH 3817

DH 3817

Não menos contrário à verdade e perigoso é o erro daqueles que da arcana união de todos nós com Cristo pretendem deduzir algum insano quietismo, como dizem, no qual toda a vida espiritual dos féis e todo o progresso na virtude são atribuídos unicamente à ação do Espírito Santo, enquanto fica excluído ou preterido o que devemos prestar-lhe como cooperação e quase como ajuda. Ninguém, decerto, pode negar que o divino Espírito de Cristo é a única fonte da qual deriva toda a energia sobrenatural na Igreja e nos membros. … Contudo, o perseverar constantemente nas obras de santidade, o progredir fervorosamente na graça e na virtude, o esforçar-se generosamente por atingir o vértice da perfeição cristã, enfim o excitar, na medida do possível, os próximos a consegui-la, tudo isso não quer o celeste Espírito realizá-lo, se o homem não faz, dia a dia, com energia e diligência, o que está ao seu alcance. “Os benefícios divinos, diz Ambrósio, não se outorgam aos que dormem, mas aos que velam” 1 . Com efeito, se neste nosso corpo mortal os membros se desenvolvem e robustecem com o exercício ininterrupto, muito mais, sem dúvida, sucede isso no Corpo social de Jesus Cristo, cujos membros gozam de liberdade, consciência e modo de agir próprios. Por isso, aquele que disse: “Vivo, já não eu, mas Cristo vive em mim” [Gl 2,20], este mesmo não duvidou afirmar: “A sua graça (de Deus) não foi em mim estéril, mas trabalhei mais que todos eles; se bem que não eu, mas a graça de Deus comigo” [1Cor 15,10]. 831 É, pois, evidente que, com essas doutrinas falaciosas, o mistério de que tratamos não se converte em proveito espiritual dos fiéis, mas, lamentavelmente, em sua ruína.

Latim

Nec minus a veritate aberrat periculosus eorum error, qui ex arcana omnium nostrum cum Christo coniunctione insanum quendam, ut aiunt, quietismum deducere conantur; quo quidem spiritualis omnium Christianorum vita eorumque ad virtutem progressio Divini Spiritus actioni unice attribuuntur, ea nempe seclusa ac posthabita, quae a nobis eidem praestari debet, socia ac veluti adiutrice opera. Nemo profecto infitiari potest Sanctum Iesu Christi Spiritum unum esse fontem, ex quo superna omnis vis in Ecclesiam in eiusque membra profluat. … Attamen, quod homines in sanctitatis operibus constanter perseverent, quod in gratia in virtuteque alacri animo proficiant, quod denique non modo ad christianae perfectionis apicem strenue contendant, sed ceteros quoque ad eam assequendam pro viribus excitent, haec omnia caelestis Spiritus operari non vult, nisi iidem homines quotidiana actuosaque navitate suas partes agant. “Non enim dormientibus”, ait Ambrosius, “divina beneficia, sed observantibus deferuntur” 1 . Namque, si in mortali [235] nostro corpore haud intermissa exercitatione membra roborantur ac vigescunt, multo profecto magis id contingit in sociali Iesu Christi Corpore, in quo singula membra propria cuiusque libertate, conscientia agendique ratione fruuntur. Quam ob rem, qui dixit: “Vivo autem, iam non ego: vivit vero in me Christus” [Gal 2,20], idem asseverare non dubitavit: “Gratia eius (hoc est Dei) in me vacua non fuit, sed abundantius illis omnibus laboravi: non ego autem, sed gratia Dei mecum“ [1 Cor 15,10]. Omnino igitur perspicuum est fallacibus hisce doctrinis mysterium de quo agimus non in spiritualem christifidelium profectum, sed in eorum ruinam miserrime verti.

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