Denzinger · DH 413

DH 413

Assim se explica que nosso Senhor, contra a ferocidade de tais erros, do céu armou o ofício pastoral que, com tríplice exortação, confiou ao beatíssimo Pedro apóstolo, dizendo: “Apascenta as minhas ovelhas” [Jo 21,15]. E com justiça foi confiado o cuidado do pastoreio àquele cuja magnífica profissão de fé foi louvada pela boca do Senhor … ele professou, sob a admirável brevidade da per- 151 gunta e da resposta, que o próprio e mesmo [Cristo] é filho do homem e de Deus, “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” [Mt 16,16], abrindo assim o mistério da sua sacratíssima encarnação, enquanto, na unidade da pessoa, conservada a peculiaridade da própria natureza, era simultaneamente homem e Deus e permaneceu o que assumiu no tempo da mãe sempre virgem e o que era antes dos séculos como nascido do Pai. Unindo a si, porém, de modo inconfuso e indiviso, imutável e substancial, a carne, veio Deus Verbo, o nosso Emanuel, esperado porque o anunciavam a Lei e os Profetas: “Pois o Verbo se fez carne e habitou entre nós” [Jo 1,14], inteiro no que era seu, inteiro no que é nosso, assumindo do útero uma carne com alma racional e intelectiva … Tomou início na humanidade para fazer-nos participantes da sua eternidade; dignou-se participar da nossa natureza para nos tornar partícipes da sua imortalidade; sendo rico, fez-se pobre, para que nos enriquecêssemos de sua pobreza [cf. 2Cor 8,9]; tendo destruído o documento da nossa dívida, perdoou tudo o que é nosso [cf. Cl 2,13s] … para conseguir … que “o mediador de Deus e dos homens, o homem Cristo Jesus” [1 Tm 2,5], como segundo homem, celeste [1Cor 15,47], <nos> livrasse da maldição da qual o primeiro homem, terrestre, preso pelos laços da morte, era cativo, e pela morte subjugasse a morte.

Latim

Hinc est quod Dominus noster contra errorum huiusmodi feritatem pastorale caelitus armavit officium, quod beatissimo Petro apostolo trina praeceptione commendans ait: “Pasce oves meas” [Io 21,15]. Et recte illi pascendarum est cura commissa, cuius fidei praeclara confessio Domini est ore laudata. … eundem ipsum [Christum] hominis esse filium Deique sub mirabili interrogationis responsionisque brevitate confessus est “Tu es Christus filius Dei vivi” [Mt 16,16], sacratissimae scilicet mysterium incarnationis eius aperiens, dum in unitate personae, servata geminae proprietate naturae, homo idemque Deus esset, quod ex matre semper virgine sumpsit in tempore, et quod natus ex patre est ante saecula, permaneret. Inconfuse autem et indivise atque inconvertibiliter et substantialiter uniens sibi carnem Deus Verbum Emmanuel noster, qui lege et prophetis adnuntiantibus exspectabatur, advenit: “Verbum ergo caro factum est et habitavit in nobis” [Io 1,14], totus in suis, totus in nostris, adsumens ex vulva carnem cum anima rationali et intellectuali. … Humanitatis sumpsit initium, ut nos aeternitatis suae faceret coheredes; nostrae consors dignatus est esse naturae, ut nos suae immortalitatis faceret esse participes; pauper factus est, cum esset dives, ut eius inopia ditaremur [cf. 2 Cor 8,9]; omnia quae nostra sunt, evacuato noxarum nostrarum chirographo condonavit [cf. Col 2,13s] … id peragens …, ut “mediator Dei et hominum homo Christus Iesus” [1 Tim 2,5] maledicto quo primus homo terrenus mortis vinculis tenebatur, adstrictus, secundus homo caelestis [1 Cor 15,47], dum mortem morte calcaret, absolveret.

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