DH 4166
40. Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” [Mt 5,48] 1 . A todos enviou o Espírito Santo, que os move interiormente a amarem a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o espírito e com todas as forças [cf. Mc 12,30], e a amarem-se uns aos outros como Cristo os amou [cf. Jo 13,34; 15,12]. Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo batismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos. É necessário, portanto, que, com o auxílio divino, conservem e aperfeiçoem, vivendo-a, esta santidade que receberam. O Apóstolo admoesta-os a que vivam “como convém a santos” [Ef 5,3], que “como eleitos e amados de Deus”, se revistam “de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e paciência” [Cl 3,12] e alcancem os frutos do Espírito para a santificação [cf. Gl 5,22; Rm 6,22]. E porque todos cometemos faltas em muitas ocasiões [Tg 3,2], precisamos constantemente da misericórdia de Deus e todos os dias devemos orar: “Perdoai-nos as nossas ofensas” [Mt 6,12] 2 . Fica bem claro, pois, que todos os fiéis, de qualquer estado ou condição, são chamados à plenitude , da vida cristã e à perfeição da caridade 3 . Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano. Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que as dá Cristo, a fim de que, seguindo as suas pisadas e conformados à sua imagem, obedecendo em tudo à vontade de Deus, se consagrem com
40. Omnis perfectionis divinus Magister et Exemplar, Dominus Iesus, sanctitatem vitae, cuius Ipse et auctor et consummator exstat, omnibus et singulis discipulis suis cuiuscumque conditionis praedicavit: “Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester caelestis perfectus est” [Mt 5,48] 1 . In omnes enim Spiritum Sanctum misit, qui eos intus moveat, ut Deum diligant ex toto corde, ex tota anima, ex tota mente et ex tota virtute sua [cf. Mc 12,30], et ut invicem se diligant sicut Christus eos dilexit [cf. Io 13,34; 15,12]. Christi asseclae a Deo non secundum opera sua, sed secundum propositum et gratiam Eius vocati atque in Iesu Domino iustificati, in fidei baptismate vere filii Dei et consortes divinae naturae, ideoque reapse sancti effecti sunt. Eos proinde oportet sanctificationem quam acceperunt, Deo dante, vivendo tenere atque perficere. Ab Apostolo monentur, ut vivant “sicut [45] decet sanctos” [Eph 5,3], et induant “sicut electi Dei, sancti et dilecti, viscera misericordiae, benignitatem, humilitatem, modestiam, patientiam” [Col 3,12], fructusque Spiritus habeant in sanctificationem [cf. Gal 5,22; Rm 6,22]. Cum vero in multis offendimus omnes [cf. Iac 3,2], misericordiae Dei iugitur egemus atque orare quotidie debemus: “Et dimitte nobis debita nostra” [Mt 6,12] 2 . Cunctis proinde perspicuum est, omnes christifideles cuiuscumque status vel ordinis ad vitae christianae plenitudinem et caritatis perfectionem vocari 3 qua sanctitate, in societate quoque terrena, humanior vivendi modus promovetur. Ad quam perfectionem adipiscendam fideles vires secundum mensuram donationis Christi acceptas adhibeant, ut Eius vestigia sequentes Eiusque imagini conformes effecti, voluntatem Patris in omnibus obsequentes, glo-