DH 4317
17. (O grande valor da liberdade). Ora, é só na liberdade que o homem se pode converter ao bem. Nossos contemporâneos dão grande valor à liberdade e a procuram com o maior empenho, e isso, com toda a razão. Muitas vezes, porém, eles a fomentam de modo condenável, como se ela consistisse na licença de fazer qualquer coisa que agrade, mesmo o mal. A verdadeira liberdade é a marca por excelência da imagem de Deus no ser humano. Pois Deus quis deixar o homem nas mãos de sua própria decisão 1 , para que busque por si mesmo o seu Criador e, aderindo a ele, livremente chegue à plena e beatífica perfeição. Exige, portanto, a dignidade do homem que ele proceda segundo sua consciente e livre escolha, quer dizer, que seja movido e induzido pessoalmente desde dentro e não levado por cegos impulsos interiores ou por mera coação externa. Tal dignidade, o homem a atinge quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura eficazmente e com diligente iniciativa os meios convenientes. A liberdade do homem, ferida pelo pecado, só com a ajuda da graça divina pode tornar plenamente efetiva esta orientação para Deus. E cada um deve dar conta da própria vida perante o tribunal de Deus, segundo o bem ou o mal que tiver praticado 2 .
17. (De praestantia libertatis). At nonnisi libere homo ad bonum se convertere potest, quam libertatem coaevi nostri magni faciunt ardenterque prosequuntur: et recte sane. Saepe tamen eam pravo modo fovent, tamquam licentiam quidquid faciendi dummodo delectet, etiam malum. Vera autem libertas eximium est divinae imaginis in homine signum. Voluit enim Deus hominem relinquere in manu consilii sui 1 , ita ut Creatorem suum sponte quaerat et libere ad plenam et beatam perfectionem ei inhaerendo perveniat. Dignitas igitur hominis requirit ut secundum consciam et liberam electionem agat; personaliter scilicet ab intra motus et inductus, et non sub caeco impulsu interno vel sub mera externa coactione. Talem vero dignitatem obtinet homo cum, sese ab omni passionum captivitate liberans, finem suum in boni libera [1038] electione persequitur et apta subsidia efficaciter ac sollerti industria sibi procurat. Quam ordinationem ad Deum libertas hominis, a peccato vulnerata, nonnisi gratia Dei adiuvante, plene actuosam efficere potest. Unicuique autem ante tribunal Dei propriae vitae ratio reddenda erit, prout ipse sive bonum sive malum gesserit 2 .