DH 4550
O problema do aborto provocado e de sua eventual liberação legal tem-se tornado praticamente por toda parte tema de agudas discussões. Os debates seriam menos graves se não se tratasse da vida humana, valor primordial que é necessário proteger e promover; o que é claro para todos, embora muitos tentam alegar, contra toda a evidência, que o próprio aborto sirva para esta causa. Ora, não pode deixar de parecer estranho que ao mesmo tempo vemos crescer o protesto aberto contra a pena de morte e contra toda forma de guerra, mas de outro lado também observamos a reivindicação de liberar o aborto, seja totalmente, seja dentro de certos limites, que porém se tornam cada vez mais amplos. A Igreja tem demasiada consciência de que pertence à sua vocação defender o ser humano contra tudo o que poderia destruí-lo ou aviltá-lo para ficar calada sobre este assunto. Já que o Filho de Deus se fez homem, não há homem que não seja seu irmão na humanidade e não seja chamado a se tornar cristão e a receber dele a salvação.
1. Quaestio de abortu procurato deque lege quae abortus libertatem forte concedat, fere ubique acrium disceptationum argumentum evasit. Quae disceptationes minoris gravitatis profecto essent, si de vitae humanae causa non ageretur, quae primordiale bonum est, necessario tuendum ac promovendum. Id cuique patet, quamquam multi rationes quaerere conantur, ut, contra manifestam rei veritatem, etiam abortus huic causae inservire possit. Ac mirum non videri non potest, quod dum ex una parte gliscere cernimus apertam reclamationem adversus poenam capitis et quodlibet belli genus, ex altera vero parte animadvertimus magis magisque abortus libertatem vindicari, sive absolutam sive certis limitibus circumscriptam, qui quidem laxiores usque fiunt. Ecclesia autem, utpote quae plane sit conscia ad muneris sui partes pertinere hominis defensionem contra ea omnia, quae illum destruere vel dehonestare possint, hanc quaestionem silentio praeterire nequit: cum Dei Filius homo factus sit, iam nemo est, qui, ob communem naturam humanam, frater eius non sit, nec vocetur ut christianus fiat, ad salutem ab ipso accipiendam.