Denzinger · DH 4580

DH 4580

Os homens do nosso tempo estão cada vez mais persuadidos de que a dignidade e vocação da pessoa humana exigem que descubram, à luz da inte- 1082 ligência, os bens e virtudes inscritos na sua natureza, os desenvolvam incessantemente e os traduzam na prática de sua vida, com o intuito de progredir cada dia mais. Em matéria moral, porém, o homem não pode emitir juízos de valor segundo seu arbítrio pessoal: “No fundo da própria consciência, o homem descobre efetivamente uma lei que ele não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer … O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus; a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado” 1 . Além disso, a nós cristãos, Deus pela sua revelação deu-nos a conhecer o seu desígnio da salvação e nos propôs, como a Lei suprema e imutável da vida, a Cristo, Salvador e Santificador, com a sua doutrina e com o seu exemplo – ele que disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” 2 . Portanto, não se poderá promover de verdade a dignidade humana a não ser respeitando a ordem essencial da sua natureza. É certo que, na história da civilização, muitas condições concretas e necessidades da vida humana mudaram e continuarão a mudar; mas, qualquer evolução dos costumes e qualquer gênero de vida devem ser sempre mantidos dentro dos limites impostos pelos princípios imutáveis fundados nos elementos constitutivos e nas relações essenciais de toda a pessoa humana, elementos e relações que transcendem as contingências históricas. Tais princípios fundamentais, que a razão é capaz de apreender, acham-se contidos na “lei divina, eterna, objetiva e universal com a qual Deus, no desígnio de sua sabedoria e amor, ordena, dirige e governa o universo inteiro e os caminhos da comunidade humana. Desta sua lei, Deus torna o homem participante, de modo que ele, segundo a suave disposição da divina providência, possa conhecer cada vez mais a verdade imutável” 3 . Ora, esta lei divina é acessível ao nosso conhecimento. e a lei natural

Latim

3. Nostrae aetatis homines magis in dies sibi persuasum habent personae humanae dignitatem vocationemque id postulare, ut ipsi, rationis lumine ducti, bona virtutesque naturae suae insita detegant, continenter promoveant, in vitaeque suae [79] actionem traducant, eo quidem consilio, ut magis in dies progredi possint. Attamen in re morali aestimanda homo nequaquam arbitrio suo procedere potest: “In imo conscientiae legem detegit, quam ipse sibi non dat, sed cui oboedire debet … Nam homo legem in corde scriptam habet, cui parere dignitas eius est et secundum quam ipse iudicabitur” 1 . Praeterea nobis christianis Deus per revelationem suam notum fecit suum salutis consilium, ac proposuit tamquam supremam atque immutabilem vitae normam, Christum, Salvatorem et Sanctificatorem, per doctrinam et exempla Ipsius, qui dixit: “Ego sum lux mundi: qui sequitur me non ambulat in tenebris, sed habebit lumen vitae” 2 . Hominis, igitur, dignitas vere promoveri nequit, nisi ordo essentialis eius naturae servatur. Fatendum quidem est, per civilis cultus decursum bene multas rerum condiciones vitaeque humanae necessitates mutatas esse atque in posterum etiam mutatum iri; at quilibet morum profectus et quodlibet vivendi genus contineri debent intra fines, quos statuunt immutabilia principia, quae innituntur in elementis constitutivis et relationibus essentialibus cuiusque humanae personae; quae elementa ac relationes historica adiuncta transcendunt. Haec principia fundamentalia, quae humana ratio percipere potest, continentur in “lege divina, aeterna, obiectiva et universali, qua Deus consilio sapientiae et dilectionis suae mundum universum viasque communitatis ordinat, dirigit, gubernat. Huius suae legis Deus hominem participem reddit, ita ut providentia divina suaviter disponente, veritatem incommutabilem magis magisque cognoscere possit” 3 . Haec autem lex divina nostrae cognitioni pervia est. [80] A doutrina da Igreja

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