DH 4641
O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente – não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser – deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar nele com tudo o que é em si mesmo, deve “apropriar-se” e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se nele se realiza este processo profundo, o homem produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda admiração perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se “mereceu ter um tal e tão grande Redentor” 1 , se “Deus deu o seu Filho”, para que ele, o homem, “não pereça, mas tenha a vida eterna”? 2
Homo igitur, qui funditus se perspicere cupit – non tantum secundum quasdam subitarias, imperfectas, saepe exteriores, immo etiam specie sola apparentes rationes vel regulas suae vitae – debet sese ad Christum conferre cum sua anxietate et dubitatione, cum sua infirmitate et improbitate, cum vita sua et morte. Is debet quasi cum toto, quod ipse est, intrare in eum; debet “asciscere” atque assumere sibi omnem veritatem Incarnationis et Redemptionis, ut rursus se reperiat. Qui intimus processus si in illo perficitur, homo fructus edit non sola Dei adoratione, verum etiam magna sui ipsius admiratione. Quantum enim momentum ac pretium habere debet homo in conspectu Creatoris, si “talem ac tantum meruit habere Redemptorem” 1 , si Deus dedit “Filium suum Unigenitum”, ut homo “non pereat sed habeat vitam aeternam”? 2