Denzinger · DH 4659

DH 4659

Nem a Sagrada Escritura, nem os teólogos nos fornecem luz suficiente para uma descrição adequada da vida depois da morte. Os fiéis cristãos devem manter firmemente estes dois pontos essenciais: por um lado, crer na continuidade fundamental existente em virtude do Espírito santo, entre a vida presente em Cristo e a vida futura (com efeito, a caridade é a lei do reino de Deus, e por esta nossa caridade exercida na terra se medirá nossa participação na glória divina no céu); mas, por outro lado, o cristão deve ser consciente da ruptura radical que há entre a vida presente e a futura, já que a economia da fé é substituída pela economia da luz plena, e nós estaremos em Cristo e “veremos Deus” 1 ; e nestas promessas e mistério consiste essencialmente nossa esperança. Se a imaginação não consegue chegar até aí, o coração chega instintivamente e em profundidade.

Latim

Nec Scripturae Sacrae nec theologi satis luminum suppeditant ad futuram vitam post mortem rite describendam. Christifideles haec duo essentialia capita firmiter tenere debent: ex una parte credant oportet fundamentalem continuationem quae, virtute Spiritus Sancti, inter praesentem vitam in Christo et futuram vitam intercedit (nam caritas est lex Regni Dei, atque ipsa nostra in terris caritate metienda erit nostra in caelis divinae gloriae participatio); ex altera vero parte probe noscere debent rationes praesentis vitae et futurae valde inter se differre, nam oeconomiae fidei succedit oeconomia plenae lucis, ac nos cum Christo erimus et “Deum videbimus” 1 ; quibus in promissionibus ac mirandis mysteriis essentialiter spes nostra consistit. Quod si nostra imaginandi vis eo accedere non valet, illuc cor nostrum sponte sua ac penitus pervenit.

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