DH 4836
20. … Portanto, o celibato por amor do Reino dos céus é fruto não só de uma escolha livre da parte do homem, mas também de uma graça especial da parte de Deus, que chama determinada pessoa para viver o celibato. Se este é um sinal especial do Reino de Deus que deve vir, ao mesmo tempo serve também para dedicar todas as energias da alma e do corpo, durante a vida temporal, só ao único reino escatológico. … Em Maria por primeira se manifestou esta nova consciência, quando pede ao Anjo: “Como se realizará isso, pois eu não conheço homem?” [Lc 1,34]. Embora seja “noiva de um homem de nome José” [Lc 1,27], ela está firme no propósito da virgindade, e a maternidade que nela se realiza provém exclusivamente da “potência do Altíssimo”, é fruto da vinda do Espírito Santo sobre ela [cf. Lc 1,35]. Esta maternidade divina, portanto, é a resposta to- 1145 talmente imprevisível à expectativa humana da mulher em Israel: ela vem a Maria como dom do próprio Deus. … Apoiado no Evangelho desenvolveu-se e aprofundou-se o sentido da virgindade como vocação também para a mulher, vocação em que se confirma sua dignidade à semelhança da Virgem de Nazaré. O Evangelho propõe o ideal da consagração da pessoa, que significa sua dedicação exclusiva a Deus em virtude dos conselhos evangélicos, em particular os da castidade, pobreza e obediência. A encarnação perfeita dos mesmos é o próprio Jesus Cristo. Quem deseja segui-lo de modo radical escolhe pautar sua vida segundo tais conselhos, os quais se distinguem dos mandamentos e indicam ao cristão o caminho da radicalidade evangélica. Desde o início do cristianismo, tanto homens como mulheres avançam por este caminho, pois o ideal evangélico é dirigido a todos os seres humanos, sem fazer diferença alguma de ordem sexual. Neste contexto mais amplo é preciso considerar a virgindade como um caminho para a mulher, um caminho pelo qual, diversamente do matrimônio, ela realiza a sua personalidade de mulher. … segundo o espírito
20. … Quapropter non fructus modo liberae electionis ab homine factae est caelibatus propter Regnum caelorum sed peculiaris etiam gratiae a Deo datae, qui certum quendam vocat hominem ut caelibatum vivendo impleat. Quod si hoc praecipuum quoddam signum Regni Dei est venturi, eodem id tempore adiuvat ut omnes animi corporisque vires [1701] in vita hac terrestri ac temporali devoveantur uni solique eschatologico regno. … In Maria autem prima sese haec nova commonstravit conscientia, quandoquidem ex Angelo quaerit: „Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco?“ [Lc 1,34]. Quantumvis Scriptura Sacra eam praebeat “virginem desponsatam viro, cui nomen erat Ioseph” [Lc 1,27], firmiter tamen ipsa perseverat in virginitatis proposito ac maternitas, quam in illa dumtaxat efficit “virtus Altissimi”, effectus Spiritus Sancti descensionis in eam est [cf. Lc 1,35]. Haec ideo divina maternitas nequaquam exspectationibus humanis respondet mulierum Israel: ad Mariam enim defertur veluti Dei ipsius munus. … [1702] … Virginitatis porro sensus ex Evangelio est enucleatus altiusque pervestigatus, prout est etiam pro feminis vocatio, in qua nempe earum confirmatur dignitas secundum Virginis Nazarethanae similitudinem. Praeclaram speciem personarum consecrationis proponit Evangelium quae illarum importat totam solamque Deo ipsi deditionem ob consiliorum evangelicorum virtutem, nominatim castitatis, paupertatis, oboedientiae. Eorundem vero consiliorum perfecta incarnatio ipse est Iesus Christus. Quicumque eum consectari voluit radicali quidem modo, vitam transigere statuit secundum haec consilia. Quae profecto a mandatis separantur et Christiano viam indicant radicalis evangelici moris. Iam inde a primis christiani nominis principiis hanc pariter viam tum viri ingrediuntur tum mulieres, cum, omni dempto sexus discrimine, propositum evangelicum universis patescat hominibus. Hoc in ampliore rerum conspectu consideretur virginitas oportet pro muliere via, qua nempe via aliter atque in coniugio ipsa suam uti mulieris personam complet. … [1703] … A maternidade