DH 1727
Pois, se o Cristo Senhor na última Ceia instituiu e transmitiu aos Apóstolos este venerável sacramento sob as espécies de pão e de vinho [cf. Mt 26,26ss; Mc 14,22ss; Lc 22,19s; 1Cor 11,24s], esta instituição e transmissão não visam a obrigar todos os fiéis cristãos, por determinação do Senhor, a receber ambas as espécies [cân. 1 e 2]. Tampouco se conclui corretamente, do sermão no capítulo sexto de João, que seja ordenada pelo Senhor a comunhão sob ambas as espécies [cân. 3] – de qualquer forma que seja compreendido, segundo as várias interpretações dos santos Padres e Doutores. Pois quem disse: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” [Jo 6,54], disse também: “Se alguém comer deste pão, viverá eternamente” [Jo 6,52]. E quem disse: “Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna” [Jo 6,55], disse também: “O pão que vos darei é minha carne para a vida do mundo” [Jo 6,52]. E finalmente quem disse: “Quem come minha carne e bebe meu sangue, permanece em mim e eu nele” [Jo 6,57], disse, não obstante: “Quem come deste pão viverá eternamente” [Jo 6,58]. 443 Cap. 2. O poder da Igreja sobre a administração do sacramento da Eucaristia
Nam etsi Christus Dominus in ultima Coena venerabile hoc sacramentum in panis et vini speciebus instituit et Apostolis tradidit [cf. Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,19s; 1 Cor 11,24s]: non tamen illa institutio et traditio eo tendunt, ut omnes Christi fideles statuto Domini ad utramque speciem accipiendam adstringantur [can. 1 et 2]. Sed neque ex sermone illo apud Ioannem sexto recte colligitur, utriusque speciei communionem a Domino praeceptam esse [can. 3], utcumque iuxta varias sanctorum Patrum et Doctorum interpretationes intelligatur. Namque qui dixit: “Nisi manducaveritis carnem Filii hominis, et biberitis eius sanguinem, non habebitis vitam in vobis” [Io 6,54], dixit quoque: “Si quis manducaverit ex hoc pane, vivet in aeternum” [Io 6,52]. Et qui dixit: “Qui manducat meam carnem, et bibit meum sanguinem, habet vitam aeternam” [Io 6,55], dixit etiam: “Panis, quem ego dabo, caro mea est pro mundi vita” [Io 6,52]; et denique qui dixit: “Qui manducat meam carnem, et bibit meum sanguinem, in me manet, et ego in illo” [Io 6,57], dixit nihilominus: “Qui manducat hunc panem, vivet in aeternum” [Io 6,58]. Cap. 2. Ecclesiae potestas circa dispensationem sacramenti Eucharistiae