DH 244
Cap. 6. Deus age no coração dos homens e no próprio livre-arbítrio de tal modo que um pensamento santo, uma decisão piedosa e cada movimento de boa vontade vêm de Deus, pois é graças àquele “sem o qual nada podemos” [Jo 15,5] que podemos fazer algo de bom. A esta profissão, de fato, nos introduziu o mesmo mestre Zósimo, que, falando aos bispos de todo o mundo sobre o socorro da graça divina, diz 1 : “Que tempo, pois, pode chegar, no qual não precisemos de seu auxílio?” Portanto, em todas as ações, questões, pensamentos e movimentos devese invocar o prestador de socorro e proteção. É soberba, sem dúvida, a natureza humana atribuir a si mesma alguma coisa, já que o Apóstolo anuncia: “Nosso combate não é contra a carne e o sangue, mas contra os príncipes e os poderes desta terra, contra os espíritos do mal nos céus” [Ef 6,12]. E como, em outro lugar, ele mesmo diz: “Infeliz de mim homem! Quem me livrará do corpo desta morte? A graça de Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor” [Rm 7,24]. E ainda: “Pela graça de Deus sou o que sou; a sua graça em mim não foi inútil, mas trabalhei mais que todos eles; porém, não eu, mas a graça de Deus comigo” [1Cor 15,10].
Cap. 6. Quod ita Deus in cordibus hominum atque in ipso libero operetur arbitrio, ut sancta cogitatio, pium consilium omnisque motus bonae voluntatis ex Deo sit, quia per illum aliquid boni possumus, “sine quo nihil possumus” [Io 15,5]. Ad hanc enim nos professionem idem doctor Zosimus instituit, qui, cum ad totius orbis episcopos de divinae gratiae opitulatione loqueretur 1 : “Quod ergo”, ait, “tempus intervenit, quo eius non egeamus auxilio? In omnibus igitur actibus, causis, cogitationibus, motibus adiutor et protector orandus est. Superbum est enim, ut quidquam sibi humana natura praesumat, cla-mante Apostolo: ‘Non est nobis colluctatio adversus carnem et sanguinem, sed contra principes et potestates aëris huius, contra spiritalia nequitiae in caelestibus’ [Eph 6,12]. Et sicut ipse iterum dicit: ‘Infelix ego homo, quis me liberabit de corpore mortis huius? Gratia Dei per Iesum Christum Dominum nostrum’ [Rm 7,24s]. Et iterum: ‘Gratia Dei sum id quod sum, et gratia eius in me vacua non fuit; sed plus illis omnibus laboravi: non ego autem, sed gratia Dei mecum’ [1 Cor 15,10].”