DH 243
Cap. 5. Todo o empenho e toda a obra dos Santos devem ser referidos à glória e ao louvor de Deus, porque ninguém de outro modo lhe é agradável senão partindo de quanto ele mesmo lhe tiver dado. Para este princípio dirige a nossa atenção a autoridade normativa do Papa Z ó s i m o , de feliz memória, quando, escrevendo aos bispos do orbe inteiro, diz 1 : Nós, por moção de Deus (pois toda coisa boa deve ser referida a seu autor, de onde nasce) temos mandado tudo para análise e parecer dos nossos irmãos e bispos”. Os bispos africanos acolheram com tanta veneração esta palavra, radiante da luz da mais sincera verdade, que chegaram a responder-lhe: “O que puseste por escrito na tua carta, mandada a todas as províncias, dizendo: ‘Nós, por moção de Deus etc.’, o recebemos no sentido de que tu, desnudando a espada da verdade, como passando em corrida, estarias cortando os que erguem contra o auxílio de Deus a liberdade do arbítrio humano. Que, pois, fizestes com tão livre arbítrio, senão que referistes tudo à consciência de nossa humildade! E, todavia, fiel e sabiamente reconhecestes e com verdade e confiança dissestes que foi por moção de Deus. Por isso, certamente, já que ‘a vontade é preparada pelo Senhor’ [Pr 8,35 Septg.; cf. *374], é ele mesmo que toca o coração dos filhos com paternas inspirações para que façam algo de bom. ‘Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus’ [Rm 8,14]; 92 assim, portanto, nem pensemos que falte o nosso arbítrio, nem duvidemos, de outra parte, que em todos e em cada movimento bom da vontade humana tem mais força o seu auxílio”.
Cap. 5. Quod omnia studia et omnia opera ac merita Sanctorum ad Dei gloriam laudemque referenda sint; quia nemo aliunde ei placet, nisi ex eo, quod ipse donaverit. In quam nos sententiam dirigit beatae recordationis papae Zosimi regularis auctoritas, cum scribens ad totius orbis episcopos ait 1 : “Nos autem instinctu Dei (omnia enim bona ad auctorem suum referenda sunt, unde nascuntur) ad fratrum et coepiscoporum nostrorum conscientiam universa retulimus.” Hunc autem sermonem sincerissimae veritatis luce radiantem tanto Afri episcopi honore venerati sunt, ut ita ad eundem virum scriberent: “Illud vero, quod in litteris, quas ad universas provincias curasti esse mittendas, posuisti dicens: ‘Nos tamen instinctu Dei, etc.,’ sic accepimus dictum, ut illos, qui contra Dei adiutorium extollunt humani arbitrii libertatem, districto gladio veritatis velut cursim transiens amputares. Quid enim tam libero fecistis arbitrio, quam quod universa in nostrae humilitatis conscientiam retulistis. Et tamen instinctu Dei factum esse fideliter sapienterque vidistis, veraciter fidenterque dixistis. Ideo utique, quia ‘praeparatur voluntas a Domino’ [Prv 8,35 Septg.; cf. *374], et ut boni aliquid agant, paternis inspirationibus suorum ipse tangit corda filiorum. ‘Quotquot enim Spiritu Dei aguntur, hi filii Dei sunt’ [Rm 8,14 ]; ut nec nostrum deesse sentiamus arbitrium, et in bonis quibusque voluntatis humanae singulis motibus magis illius valere non dubitemus auxilium.”