DH 291
O mesmo sempiterno unigênito do Genitor sempiterno “nasceu do Espírito Santo e Maria virgem”. Este nascimento temporal em nada diminuiu-lhe o nascimento divino e sempiterno, nem nada lhe acrescentou, mas ele se dedicou todo a recuperar o homem, que tinha sido enganado, com o fim de vencer a morte e de destruir com a sua força o diabo, que tinha o domínio da morte. De fato, não poderíamos vencer o autor do pecado e da morte, se não assumisse a nos- 107 sa natureza e a fizesse sua aquele que nem o pecado pôde contaminar, nem a morte deter. Foi, de fato, concebido do Espírito Santo no útero da virgem mãe, que o deu à luz, permanecendo intacta a sua virgindade, assim como com intacta virgindade o concebeu. … Ou talvez [Êutiques] pensou que o nosso Senhor Jesus Cristo não teve a nossa natureza, porque o anjo, mandado à bem-aventurada Maria, diz: “O Espírito Santo descerá sobre ti e poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso, o santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” [Lc 1,35] – como se a carne do concebido não fosse da natureza da parturiente porque a conceição da Virgem foi obra divina! Ao contrário, aquela geração singularmente admirável e admiravelmente singular não se deve entender no sentido de que, pela novidade da criação, seja removido o que é próprio do gênero: foi o Espírito Santo que deu à Virgem a fecundidade, mas a verdade do corpo foi tomada do corpo e, “edificando a Sabedoria uma casa para si” [Pr 9,1], “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” [Jo 1,14], isto é, naquela carne que tomou do homem e que o espírito da vida racional animou.
Idem vero sempiterni Genitoris unigenitus sempiternus “natus est de Spiritu Sancto et Maria virgine”. Quae nativitas temporalis illi nativitati divinae et sempiternae nihil minuit, nihil contulit, sed totum se reparando homini qui erat deceptus inpendit, ut et mortem vinceret et diabolum qui mortis habebat imperium sua virtute destrueret. Non enim possemus superare peccati et mortis auctorem, nisi naturam nostram ille susciperet et suam faceret, quem nec peccatum contaminare nec mors potuit detinere. Conceptus quippe est de Spiritu Sancto intra uterum virginis matris, quae illum ita salva virginitate edidit, quemadmodum salva virginitate concepit. … An forte ideo [Eutyches] putavit Dominum nostrum Iesum Christum non nostrae esse naturae, quia missus ad beatam Mariam angelus ait: “Spiritus Sanctus superveniet in te, et virtus Altissimi obumbrabit tibi, ideoque quod nascitur ex te sanctum vocabitur Filius Dei” [Lc 1,35]. Ut quia conceptus virginis divini fuit operis, non de natura concipientis fuerit caro concepti. Sed non ita intelligenda est illa generatio singulariter mirabilis et mirabiliter singularis, ut per novitatem creationis proprietas remota sit generis: fecunditatem virgini Sanctus Spiritus dedit, veritas autem corporis sumpta de corpore est, et “aedificante sibi Sapientia domum” [Prv 9,1] “Verbum caro factum est, et habitavit in nobis” [Io 1,14], hoc est, in ea carne, quam sumpsit ex homine, et quam spiritus vitae rationalis animavit.