Denzinger · DH 299

DH 299

De fato, se bem que o nascimento do Senhor segundo a carne tenha peculiaridades pelas quais transcende os inícios da condição humana – seja porque só ele foi concebido e nasceu sem concupiscência [por obra do Espírito Santo] da Virgem inviolada, seja porque saiu do ventre da mãe de modo que a fecundidade dá à luz enquanto a virgindade continua intacta –, todavia a sua carne não era de natureza diversa da nossa, nem foi num início diferente do dos outros homens que lhe foi inspirada a alma, que devia sobressair não pela diferença de espécie, mas pela sublimidade da virtude. Nada ele tinha, de fato, que fosse adverso à sua carne, e nenhuma discórdia de desejos gerava dissídio de vontade; os sentidos do corpo vigoravam sem a lei do pecado, e a retidão dos afetos, sob a guia da divindade e da mente, não era tentada por seduções, nem cedia a ultrajes. Homem verdadeiro, uniu-se ao Deus verdadeiro; e não foi, segundo uma alma antes existente, trazido do céu, nem, segundo a carne, criado do nada, porque ele tem a mesma pessoa na divindade do Verbo e possui uma natureza comum conosco no corpo e na alma. Não seria, de fato, mediador de Deus e dos homens, se o mesmo Deus e o mesmo homem não fosse em ambos único e verdadeiro.

Latim

Nativitas enim Domini secundum carnem, quamvis habeat quaedam propria, quibus humanae condicionis initia transcendat, sive quod solus [ex Sancto Spiritu] ab inviolata virgine sine concupiscentia est conceptus et natus, sive quod ita visceribus matris est editus, ut et fecunditas pareret et virginitas permaneret, non alterius tamen naturae erat eius caro quam nostrae, nec alio illi quam ceteris hominibus anima est inspirata principio, quae excelleret non diversitate generis, sed sublimitate virtutis. Nihil enim carnis suae habebat adversum, nec discordia desideriorum gignebat compugnantiam voluntatum, sensus corporei vigebant sine lege peccati, et veritas affectionum sub moderamine deitatis et mentis nec temptabatur illecebris nec cedebat iniuriis. Verus homo vero unitus est Deo, nec secundum exsistentem prius animam deductus e caelo nec secundum carnem creatus ex nihilo, eandem gerens in Verbi deitate personam et tenens communem nobiscum in corpore animaque naturam. Non enim esset Dei hominumque mediator, nisi idem Deus idemque homo in utroque et unus esset et verus.

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