DH 298
(Cap. 3) … Penso que [Êutiques], dizendo tais coisas [isto é, que antes da encarnação existissem em Cristo duas naturezas, depois da encarnação ao contrário uma só] tenha a convicção de que a alma que o Salvador assumiu morava no céu antes de nascer de Maria Virgem e que o Verbo a uniu a si no útero. Ora, mentes e ouvidos católicos não podem tolerar isso, pois o Senhor, ao vir dos céus, não exibiu consigo nada da nossa condição, nem assumiu uma alma que tivesse existido anteriormen- 110 te, nem uma carne que não fosse a do corpo materno. O fato é que nossa natureza não foi assumida no sentido de ter sido criada antes, e depois assumida, mas no sentido de que foi criada enquanto foi assumida. Por isso, o que foi justamente condenado em Orígenes [cf. *209], que afirmou a existência anterior não só das vidas, mas das diversas ações das almas, antes de serem inseridas nos corpos, precisa ser censurado também neste <Êutiques>, a não ser que prefira abandonar seu conceito.
(c. 3) … Arbitror [Eutychen] talia loquentem [scl. ante incarnationem d u a s in Christo fuisse naturas, post incarnationem autem u n a m ] hoc habere persuasum, quod anima quam Salvator adsumpsit, prius in caelis sit commorata quam de Maria virgine nasceretur, eamque sibi Verbum in utero copularit. Sed hoc catholicae mentes auresque non tolerant, quia nihil secum Dominus de caelo veniens nostrae condicionis exhibuit. Nec animam enim quae anterior exstitisset, nec carnem quae non materni corporis esset, accepit: Natura quippe nostra non sic adsumpta est, ut prius creata post adsumeretur, sed ut ipsa adsumptione crearetur. Unde quod in Origene merito damnatum est [cf. *209], qui animarum, antequam corporibus insererentur, non solum vitas, sed et diversas fuisse asseruit actiones, necesse est ut etiam in isto, nisi maluerit sententiam abdicare, plectatur.