Denzinger · DH 3260

DH 3260

A razão pela qual o bem-aventurado José é expressamente considerado padroeiro da Igreja e pela qual, reciprocamente, a Igreja espera muito de sua proteção e de seu patrocínio, é que ele foi o esposo de Maria e o pai, segundo se pensava, de Jesus Cristo. Daí se depreende toda a sua dignidade, sua graça, sua santidade, sua honra. Certamente, a dignidade de Mãe de Deus é tão elevada que não pode existir coisa maior. Mas é verdade também que, assim como José está unido à beatíssima Virgem pelo vínculo conjugal, assim mais que ninguém se aproximou àquela dignidade supereminente pela qual a Deípara se destaca acima de todas as criaturas. O matrimônio é, com efeito, a sociedade e a 693 relação mais íntima de todas, e por sua natureza compreende a recíproca comunhão de bens. Assim, se Deus deu José por esposo à Virgem, certamente não só o constituiu companheiro da sua vida, testemunha de sua virgindade, defensor de sua honestidade, mas também, em razão dessa mesma aliança conjugal, o fez partícipe de sua sublime dignidade. Igualmente supera todos os outros em elevadíssima dignidade porque, por desígnio divino, foi eleito para ser o custódio do Filho de Deus, na opinião dos homens tido por pai. Daí resultava que o Verbo de Deus era humildemente submisso a José, dava ouvido à sua palavra e lhe prestava toda a honra que os filhos devem a seu pai.

Latim

Cur beatus Iosephus nominatim habeatur Ecclesiae patronus vicissimque plurimum sibi Ecclesia de eius tutela patrocinioque polliceatur, causae illae sunt rationesque singulares, quod is vir fuit Mariae, et pater, ut putabatur, Iesu Christi. Hinc omnis eius dignitas, gratia, sanctitas, gloria profectae. Certe Matris Dei tam in excelso dignitas est, ut nihil fieri maius queat. Sed tamen, quia intercessit Iosepho cum Virgine beatissima maritale vinculum, ad illam praestantissimam dignitatem, qua naturis creatis omnibus longissime Deipara antecellit, non est dubium, quin accesserit ipse ut nemo magis. Est enim coniugium societas necessitudoque omnium maxima, quae natura sua adiunctam habet bonorum unius cum altero communicationem. Quocirca si sponsum Virgini Deus Iosephum dedit, dedit profecto non modo vitae socium, virginitatis testem, tutorem honestatis, sed etiam excelsae dignitatis eius ipso coniugali foedere participem. Similiter augustissima dignitate unus eminet inter omnes, quod divino consilio custos Filii Dei fuit, habitus hominum opinione pater. Qua ex re consequens erat, ut Verbum Dei Iosepho modeste subesset, dictoque esset audiens omnemque adhiberet honorem, quem liberi adhibeant parenti suo necesse est.

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