Denzinger · DH 3326

DH 3326

Com grande propriedade a Igreja costuma atribuir ao Pai as obras em que brilha o poder, ao Filho, as em que brilha a sabedoria, ao Espírito Santo, as em que brilha o amor. Não que não sejam comuns às Pessoas divinas todas as perfeições e todas as obras realizadas ad extra; pois “são indivisas as obras da Trindade, como indivisa é a essência da Trindade” 1 , porque, assim como as três Pessoas divinas “são inseparáveis, agem de modo inseparável” 2 ; mas porque existe certa relação e como que afinidade entre as obras e as propriedades das Pessoas, são atribuídas, ou, como se diz, apropriadas, antes a uma do que a outra: “Assim como nos servimos da analogia do vestígio ou da imagem achada nas criaturas para tornar manifestas as diversas Pessoas, assim fazemos também com os atributos divinos; e esta manifestação das Pessoas por meio dos atributos essenciais se chama apropriação” 3 . Deste modo o Pai, que é “princípio de toda a Trindade” 4 , é a causa eficiente de todas as coisas, da Encarnação do Verbo e da santificação das almas; dele são todas as coisas: dele, porque é o Pai. Já o Filho, Verbo Imagem do Pai, ele é a causa exemplar, da qual todas as coisas refletem a forma e a beleza, a ordem e a harmonia; ele que é para nos o caminho, a verdade e a vida, aquele que reconcilia o homem com Deus, por ele são todas as coisas: por ele, por ser o Filho. O Espírito Santo, então, ele é a causa última de todas as coisas, porque, assim como a vontade e todas as coisas em geral encontram repouso em seu fim, assim ele, que é a bondade e a caridade que reina entre o Pai e o Filho, … completa e termina os mistérios em vista da salvação do homem; nele são todas as coisas: nele, porque é o Espírito Santo. com o Verbo Encarnado

Latim

Aptissimeque Ecclesia ea divinitatis opera, in quibus potentia excellit, tribuere Patri, ea, in quibus excellit sapientia, tribuere Filio, ea, in quibus excellit amor, Spiritui Sancto tribuere consuevit. Non quod perfectiones cunctae atque opera extrinsecus edita Personis divinis communia non sint; sunt enim “indivisa opera Trinitatis, sicut et indivisa est Trinitatis essentia” 1 , quia, uti tres Personae divinae “inseparabiles sunt, ita inseparabiliter operantur” 2 : verum quod ex comparatione quadam et propemodum affinitate, quae inter opera ipsa et Personarum proprietates intercedit, ea alteri potius quam alteris addicuntur sive, ut aiunt, appropriantur: “Sicut similitudine vestigii vel imaginis in creaturis inventa, utimur ad manifestationem divinarum Personarum, ita et essentialibus attributis; et haec manifestatio Personarum per essentialia attributa appropriatio dicitur” 3 . Hoc modo Pater, qui est “principium totius Deitatis” 4 , idem causa est effectrix universitatis rerum et Incarnationis Verbi et sanctificationis animorum, ex ipso sunt omnia: ex ipso, propter Patrem. Filius autem, Verbum Imago Dei, idem est causa exemplaris, unde res omnes formam et pulchritudinem, ordinem et concentum imitantur; qui exstitit nobis via, veritas, vita, hominis cum Deo reconciliator, per ipsum sunt omnia: per ipsum, propter Filium. Spiritus vero Sanctus idem est omnium rerum causa ultima, eo quia sicut in fine suo voluntas lateque omnia conquiescunt, non aliter ille, qui divina bonitas est ac Patris ipsa Filiique inter se caritas, arcana ea opera de salute hominum … complet et perficit, in ipso sunt omnia: in ipso, propter Spiritum Sanctum. A relação do Espírito Santo

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