DH 3350
Este testemunho amplíssimo e máximo de submissão e de piedade [a saber, o ato de consagração da humanidade ao Coração de Jesus] convém plenamente a Jesus Cristo, pois ele mesmo é o príncipe e soberano Senhor. Sua autoridade, decerto, não se estende tão-somente sobre as nações que levam o nome de católicas ou às pessoas que, validamente banhadas no santo batismo, juridicamente falando 724 pertencem à Igreja, mesmo se o erro de suas opiniões as afasta longe dela ou a dissensão os separa da caridade; mas abraça igualmente todos os que são considerados fora da fé cristã, de modo que bem verdadeiramente o inteiro gênero humano está no poder de Cristo. Com efeito, aquele que é o Unigênito de Deus Pai e tem em comum com ele a mesma substância, “resplendor de sua glória e figura de sua substância” [Hb 1,3], possui necessariamente tudo em comum com o Pai, portanto também o domínio soberano sobre todas as coisas. Por isso o Filho, no profeta, diz de si mesmo: “Eu, porém, sou constituído rei sobre Sião, seu monte santo. – O senhor disseme: Tu és meu Filho, hoje eu te gerei. Pede-me, e te darei como tua herança as nações, e como tua posse os confins da terra” [Sl 2,6-8]. Por estas palavras declara que recebeu de Deus poder não apenas sobre a Igreja inteira, representada pelo monte Sião, como também sobre o restante do orbe terrestre, até onde se estendem seus confins. e o fundamento no qual se apoia este poder está claramente expresso nas palavras: “Tu és meu filho”. Pelo fato de ser o Filho do Rei de todas as coisas, é herdeiro do poder universal: por isso as palavras: “Te darei como tua herança as nações”. Semelhantes a estas são as palavras de Paulo Apóstolo: “A quem constituiu herdeiro de todas as coisas” [Hb 1,2].
Amplissimum istud maximumque obsequii et pietatis testimonium [scilicet actus devovendi genus humanum Cordi Iesu] omnino convenit Iesu Christo, quia ipse princeps est ac Dominus summus. Videlicet imperium eius non est tantummodo in gentes catholici nominis, aut in eos solum, qui sacro baptismate rite abluti, utique ad Ecclesiam, si spectetur ius, pertinent, quamvis vel error opinionum devios agat vel dissensio a caritate seiungat, sed complectitur etiam quotquot numerantur christianae fidei expertes, ita ut verissime in potestate Christi sit universitas generis humani. Nam qui Dei Patris Unigenitus est eandemque habet cum ipso substantiam, “splendor gloriae et figura substantiae eius” [Hbr 1,3], huic omnia cum Patre communia necesse est proptereaque quoque rerum omnium summum imperium. Ob eam rem Dei Filius de se ipse apud Prophetam “Ego autem” effatur “constitutus sum rex super Sion montem sanctum eius. – Dominus dixit ad me: Filius meus es tu, ego hodie genui te. Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam, et possessionem tuam terminos terrae” [Ps 2,6-8]. Quibus declarat, se potestatem a Deo accepisse cum in omnem Ecclesiam, quae per Sion montem intelligitur, tum in reliquum terrarum orbem, qua eius late termini proferuntur. Quo autem summa ista potestas fundamento nitatur, satis illa docent: “Filius meus es tu”. Hoc enim ipso quod omnium Regis est Filius, universae potestatis est heres: ex quo illa “Dabo tibi gentes hereditatem tuam”. Quorum sunt ea similia, quae habet Paulus Apostolus: “Quem constituit heredem universorum” [Hbr 1,2].