DH 3351
Deve-se ter presente sobretudo o que, acerca de seu domínio, Jesus Cristo afirmou … com suas próprias palavras. Ao governador romana que lhe perguntava: “Portanto, tu és rei?”, respondeu sem hesitar: “Tu o dizes, eu sou rei” [Jo 18,37]. A grandeza desse poder e a infinitude desse reinado são claramente confirmadas por estas palavras dirigidas aos Apóstolos: “A mim foi dado todo o poder no céu e na terra” [Mt 28,18]. Se a Cristo foi dado todo o poder, segue-se necessariamente que seu domínio deve ser soberano, absoluto, não sujeito a ninguém, de modo que nada lhe é igual ou semelhante; e como <este poder> foi dado no céu e na terra, céu e terra devem lhe estar submissos. De fato, exerceu este direito que lhe é singular e próprio, quando aos Apóstolos ordenou pregar sua doutrina, reunir pelo banho da salvação os homens no único corpo da Igreja, e finalmente, impor leis às quais ninguém se pode subtrair sem pôr em perigo a própria salvação eterna.
Illud autem considerandum maxime, quid affirmaverit de imperio suo Iesus Christus … suis ipse verbis. Quaerenti enim Romano praesidi “Ergo rex es tu?” sine ulla dubitatione respondit: “Tu dicis quia rex sum ego” [Io 18,37]. Atque huius magnitudinem potestatis et infinitatem regni illa ad Apostolos apertius confirmant: “Data est mihi omnis potestas in caelo et in terra” [Mt 28,18]. Si Christo data potestas omnis, necessario consequitur, imperium eius summum esse oportere, absolutum, arbitrio nullius obnoxium, nihil ut ei sit nec par nec simile; cumque data sit in caelo et in terra, debet sibi habere caelum terrasque parentia. Re autem vera ius istud singulare sibique proprium exercuit, iussis nimirum Apostolis evulgare doctrinam suam, congregare homines in unum corpus Ecclesiae per lavacrum salutis, leges denique imponere, quas recusare sine salutis sempiternae discrimine nemo posset.