DH 357
Professemos portanto que o nosso Senhor Jesus Cristo é Filho unigênito de Deus, nascido do Pai segundo a divindade, sem início, antes de todos os séculos; o mesmo, porém, nos últimos dias, encarnado da Santa Virgem Maria e homem perfeito, tendo uma alma racional e tendo assumido um corpo, é consubstancial ao Pai segundo a divindade e consubstancial a nós segundo a humanidade. De fato, de maneira inefável foi feita, das duas naturezas perfeitas, uma unidade. Por isso professamos um só Cristo igualmente Filho de Deus e do homem, unigênito do Pai e primogênito dentre os mortos, sabendo que, decerto coeterno com seu Pai segundo a divindade, segundo a qual é artífice de tudo, se dignou também – depois do consenso da Santa Virgem, quando ela disse ao anjo: “Eis a serva do Senhor, aconteça a mim segundo a tua palavra” [Lc 1,38] – edificar para si, inefavelmente, por ela, um templo que uniu a si; e não transferiu este corpo, como coeterno, da sua substância do céu para cá, mas o tomou da matéria da nossa substância, isto é, da Virgem. Acolhendo-o e unindo-o a si, Deus Verbo não se mudou em carne nem se mostrou como aparição imaginária, mas, conservando imutável e invariavelmente a sua essência, uniu a si as primícias da nossa natureza. De fato, o princípio, Deus Verbo, dignou-se unir a si, na sua grande bondade, estas primícias da nossa natureza: ele se mostrou não uma mistura, mas único e o mesmo em ambas as substâncias, segundo o que está escrito: “Destruí este templo e em três dias o reerguerei” [Jo 2,19]. Foi destruído, de fato, Cristo Jesus segundo a minha substância que ele assumiu, e ele mesmo ressuscita o seu próprio templo destruído, a saber, segundo a substância divina, segundo a qual é também o artífice de tudo.
Confitemur ergo, Dominum nostrum Iesum Christum Filium Dei unigenitum ante omnia quidem saecula sine principio ex Patre natum secundum deitatem, in novissimis autem diebus de sancta virgine Maria eundem incarnatum et perfectum hominem ex anima rationali et corporis susceptione, homousion Patri secundum deitatem et homousion nobis secundum humanitatem. Duarum enim naturarum perfectarum unitas facta est ineffabiliter. Propter quod unum Christum eundem Filium Dei et hominis unigenitum a Patre et primogenitum ex mortuis confitemur, scientes quod quidem coaeternus suo Patri secundum divinitatem, secundum quam opifex est omnium, et dignatus est post consensionem sanctae Virginis, cum dixit ad angelum “Ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum” [Lc 1,38], ineffabiliter sibi ex ipsa aedificari templum et istud sibi univit, quod non coaeternum de sua substantia e caelo detulit corpus, sed ex massa nostrae substantiae, hoc est ex Virgine. Hoc accipiens et sibi uniens non Deus Verbum in carne versus est neque ut phantasma apparens, sed inconvertibiliter et incommutabiliter suam conservavit essentiam, primitias naturae nostrae sibi univit. Nam principium Deus Verbum has nostrae naturae primitias per multam sibi bonitatem unire dignatus est: qui non permixtus, sed in utrisque substantiis unus et ipse visus secumdum quod scriptum est: “Solvite templum istud, et in tribus diebus resuscitabo illud” [Io 2,19]. Solvitur enim Christus Iesus secundum meam substantiam, quam suscepit, et solutum suscitat proprium templum, hoc ipse secundum divinam substantiam, secundum quam et omnium artifex est.