Denzinger · DH 362

DH 362

(8) Ora, confrontemos o cargo honorífico do imperador com o do pontífice: a distância entre eles é proporcional ao fato de que aquele toma conta das coisas humanas, este, das divinas. Tu, imperador, do pontífice recebes o batismo, tomas os sacramentos, imploras a oração, esperas a bênção, pedes a penitência. Em suma: tu administras realidades humanas, aquele dispensa as realidades divinas. Por 135 isso, a dignidade é certamente igual, para não dizer superior. … Que, sob o olhar de Deus e dos seus anjos, seja este o julgamento no mundo: queremos ser espetáculo para o mundo inteiro, no sentido de que os sacerdotes dêem um exemplo de vida honesta e o imperador, de modéstia religiosa; de fato, o gênero humano é governado principalmente por estes dois cargos, e nenhum dos dois deve ser causa de ofensa à divindade, sobretudo porque ambos os cargos, ao que parece, são perpétuos, e assim mediante ambos se vela pelo gênero humano. Peço-te, ó imperador – seja dito para tua tranqüilidade –, lembra-te de que és homem, para que possas usar conseqüentemente o poder que te foi concedido por Deus; pois mesmo se isso aconteceu sob o juízo humano, é necessário que seja examinado sob o juízo divino. Talvez dirás que está escrito que devemos estar sujeitos a todo poder [cf. Tt 3,1]. Decerto, nós aceitamos os poderes humanos, no lugar que lhes cabe, contanto que não erguem sua vontade contra Deus. De resto, se todo poder vem de Deus, tanto mais aquele que é constituído para as realidades divinas. Sê respeitoso para com Deus em nós, e nós seremos respeitosos para com Deus em ti. jul. 514 – 6 ago. 523

Latim

(8) Conferamus autem honorem imperatoris cum honore pontificis: inter quos tantum distat, quantum ille rerum humanarum curam gerit, iste divinarum. Tu, imperator, a pontifice baptismum accipis, sacramenta sumis, orationem poscis, benedictionem speras, paenitentiam rogas. Postremo tu humana administras, ille tibi divina dispensat. Itaque ut non dicam superior, certe aequalis honor est. … Sit istud in mundo iudicium spectante Deo et angelis eius, spectaculum omni saeculo simus, quo aut sacerdotes bonae vitae aut imperator religiosae modestiae consequantur exemplum, quia his praecipue duobus officiis regitur humanum genus, et non debeat aliquis eorum exsistere, quo valeat offendi divinitas, maxime cum uterque honor videatur esse perpetuus atque ita humano generi ex alterutro consulatur. Precor, imperator, pace tua dixerim, memento te hominem, ut possis uti concessa tibi divinitus potestate, quia etiam si haec sub humano provenerint iudicio, sub divino necesse est ut discutiantur examine. Fortassis dicturus es, scriptum esse: omni potestati nos subditos esse debere [cf. Tit 3,1]. Nos quidem potestates humanas suo loco suscipimus, donec contra Deum suas non erigant voluntates. Ceterum si omnis potestas a Deo est, magis ergo quae rebus est praestituta divinis. Defer Deo in nobis, et nos deferimus Deo in te. HORMISDAS: 20

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