Denzinger · DH 3732

DH 3732

(P r i n c í p i o d a j u s t a a t r i bu i ç ã o .) … Ambas as [classes sociais] tiveram de ser advertidas pelas palavras mui sábias de Nosso predecessor: “Por diversa que seja a forma em que a terra está distribuída entre as pessoas privadas, ela não cessa de servir à utilidade de todos” 1 . … Por esta razão, as riquezas, que constantemente aumentam pelo desenvolvimento sócio-econômico, devem ser distribuídas entre os indivíduos e as classes sociais de tal modo que fique resguardada a utilidade comum para todos, preconizada por Leão XIII, ou, em outras palavras, de modo que se conserve imune o bem comum da sociedade toda. Esta lei de justiça social proíbe que uma classe exclua a outra na participação dos benefícios. Por conseguinte, a classe abastada, quando, vivendo folgadamente na abundância de seus bens, considera justa a ordem de coisas em que tudo vai para ela e nada para o trabalhador, viola esta lei não menos que a classe proletária, quando, com ira veemente por causa da justiça lesada, e excessivamente dada à reivindicação violenta só de seu direito de que tem consciência, reclama para si tudo que é fruto de suas mãos e trata de abolir a propriedade e os rendimentos ou benefícios que não são devidos ao trabalho, só por serem isso, não importa de que espécie são ou que função desempenham na convivência humana. Nem deve-se preterir, a este propósito, que alguns, errônea e descabidamente, apelam ao Apóstolo, que disse: “Se alguém não quer trabalhar, não deve comer” [2Ts 3,10]; com efeito, a sentença do Apóstolo se refere aos que se esquivam do trabalho, embora possam e devam trabalhar, e avisa que devemos usar diligentemente o tempo e as forças quer do corpo, quer da alma, e não ser um peso para os demais quando podemos prover a nós mesmos. De modo algum, porém, o Apóstolo ensina que o trabalho seja o único título de receber sustento e proventos [cf. 2Ts 3,8-10]. do trabalho

Latim

[196] (Principium directivum iustae attribu t i o n i s .) … Utrique [classes sociales] praemoneri debuerunt decessoris Nostri sapientissimis verbis: “Utcumque inter privatos distributa, inservire omnium utilitati terra non cessat” 1 . … Quamobrem divitiae, quae per incrementa oeconomico-socialia iugiter amplificantur, singulis personis et hominum classibus ita attribuantur oportet, ut salva sit illa, quam Leo XIII laudat, communis omnium utilitas seu, aliis verbis, ut immune servetur societatis universae commune bonum. Hac iustitiae socialis lege, altera classis alteram ab emolumentorum participatione excludere vetatur. Non minus igitur illam violat locupletium classis, cum veluti curarum expers in suis fortunis aequum rerum ordinem illum putat, quo sibi [197] totum, operario nihil obveniat, quam proletaria classis, cum propter laesam iustitiam vehementer incensa et in unum suum ius, cuius est conscia, male vindicandum nimis prona, omnia utpote suis manibus effecta sibi flagitat, ideoque dominium ac reditus seu proventus, qui labore non sint quaesiti, cuiuscumque generis ii sunt, aut cuiuscumque muneris in humano convictu vicem praestant, non aliam ob causam, nisi quia talia sunt, impugnat et abolere contendit. Nec praetereundum est hac in re inepte aeque ac immerito a quibusdam Apostolum appellari dicentem: “Si quis non vult operari, nec manducet” [2 Th 3,10]; sententiam enim Apostolus fert in eos, qui ab opere abstinent, etsi laborare possunt et debent, monetque, tempore ac viribus sive corporis sive animi sedulo utendum neque alios gravandos, cum ipsi nobis providere possimus. Laborem autem unicum esse titulum recipiendi victum aut proventus haudquaquam Apostolus docet [cf. 2 Th 3,8-10]. A justa retribuição

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