DH 3831
Portanto, os nossos especialistas de estudos bíblicos devem atender também, com a devida diligência, a este ponto, nem omitir nenhuma descoberta da arqueologia, ou da história antiga, ou da ciência das literaturas antigas, que possa servir ao melhor conhecimento da mentalidade dos antigos escritores e do seu modo, forma e arte de raciocinar, narrar e escrever. … Pois todo o conhecimento humano, mesmo não sagrado, tem como que por si uma sua dignidade e excelência própria – por ser uma participação finita da infinita ciência de Deus –; mas eleva-se a uma nova e mais alta dignidade, e quase consagração, quando aplicado para fazer brilhar com clara luz as coisas divinas. … O intérprete católico, animado de amor efetivo e forte para com a sua ciência e sinceramente dedicado à santa mãe Igreja, não deixe de arcar vez por vez com as questões difíceis e até hoje insolúveis, … para … que satisfaça convenientemente também às conclusões certas das ciências profanas. E todos os demais filhos da Igreja lembrem-se que devem julgar, não só com justiça, mas com a maior caridade, as fadigas desses valorosos operários da vinha do Senhor; guardando-se daquele zelo pouco prudente, que crê dever atacar ou declarar suspeita qualquer novidade unicamente pelo fato de ser nova. Tenham presente, sobretudo, que nas diretrizes e leis dadas pela Igreja se trata da doutrina relativa à fé e aos costumes; e que entre as muitas coisas que se lêem nos sagrados Livros legais, históricos, sapienciais e proféticos, poucas são aquelas cujo sentido tenha sido declarado pela autoridade da Igreja, e não são mais numerosas aquelas das quais tenhamos a sentença unânime dos Padres. Restam, pois, muitas e muito importantes coisas em cuja discussão e explicação se pode e deve exercitar livremente o engenho e perspicácia dos intérpretes católicos, para que cada um com sua força contribua para a comum utilidade, para o progresso da doutrina sagrada e para a defesa e honra da Igreja. 837 25 mar. 1944 geral
[317] Nostri igitur rerum biblicarum cultores in hanc quoque rem animum debita diligentia intendant neque quidquam omittant, quod novitatis attulerint cum archaeologia tum antiqua rerum gestarum historia priscarumque litterarum scientia quodque aptum sit, quo melius veterum scriptorum mens eorumque ratiocinandi, narrandi scribendique modus, forma et ars cognoscatur. … Omnis enim humana cognitio etiamsi non sacra ut suam habet quasi insitam dignitatem et excellentiam – quippe quae sit quaedam finita participatio infinitae cognitionis Dei – ita novam altioremque dignitatem et quasi consecrationem assequitur, cum ad res ipsas divinas clariore luce collustrandas adhibetur. … [319] … Catholicus interpres actuoso fortique suae disciplinae amore actus ac sanctae matri Ecclesiae sincere devotus neutiquam retineri debet, quominus difficiles quaestiones hucusque nondum enodatas iteram atque iterum aggrediatur …, ut … certis quoque profanarum disciplinarum conclusionibus debito modo satisfaciat. Horum autem strenuorum in vinea Domini operariorum conatus non solummodo aequo iustoque animo, sed summa etiam cum caritate iudicandos esse ceteri omnes Ecclesiae filii meminerint; qui quidem ab illo haud satis prudenti studio abhorrere debent, quo quidquid novum est, ob hoc ipsum censetur esse impugnandum aut in suspicionem adducendum. Illud enim imprimis ante oculos habeant, in normis ac legibus ab Ecclesia datis de fidei morumque doctrina agi; atque inter multa illa, quae in sacris libris, legalibus, historicis, sapientialibus et propheticis proponuntur, pauca tantum esse, quorum sensus ab Ecclesiae auctoritate declaratus sit, neque plura ea esse, de quibus unanimis sanctorum Patrum sit sententia. Multa igitur remanent, eaque gravissima, in quibus edisserendis et explanandis catholicorum interpretum acumen et ingenium libere exerceri potest ac debet, ut ad omnium utilitatem, ad maiorem in dies doctrinae sacrae profectum et ad Ecclesiae defensionem et honorem ex suo quisque viritim conferat. 3832-3837: Instrução da Sagrada Penitenciaria, Ed.: AAS 36 (1944) 155s. A absolvição