Denzinger · DH 3845

DH 3845

A este propósito, Veneráveis Irmãos, desejamos que volvais vossa atenção às novas formas de pensar e de julgar acerca da “piedade objetiva”, as quais, esforçando-se para pôr em evidência o mistério do Corpo místico, a realidade efetiva da graça santificante e a ação divina dos sacramentos e do sacrifício eucarístico, demonstram contudo uma tendência a diminuir ou a preterir totalmente a piedade que chamam “subjetiva” ou “pessoal”. … [Mediante os sacramentos e o seu sacrifício,] Cristo continuamente faz a expiação do gênero humano e o consagra a Deus. Eles têm, portanto, uma força dita “objetiva”, com a qual, de fato, fazem nossas almas participantes da vida divina de Jesus Cristo. Possuem, pois, não por nossa, mas pela divina virtude, a eficácia de reunir a piedade dos membros com a piedade da Cabeça e de torná-la, de certo modo, uma ação de toda a comunidade. Destes profundos argumentos alguns concluem que toda a piedade cristã deve concentrar-se no mistério do Corpo místico de Cristo, sem nenhuma consideração “pessoal” ou “subjetiva”, como dizem, e por isso acreditam que se possa descuidar das outras práticas religiosas, não estritamente ligadas à Liturgia e realizadas fora do culto público. Todos podem verificar, no entanto, que essas conclusões acerca das duas espécies de piedade, ainda que os princípios acima expostos sejam ótimos, são completamente falsas, insidiosas e perniciosíssimas. É verdade que os sacramentos e o sacrifício do altar têm uma força intrínseca enquanto são ações do próprio Cristo …; mas, para terem a devida eficácia, é preciso que se <lhe> juntem as boas disposições da nossa alma. … 841

Latim

Quam ad rem cupimus, Venerabiles Fratres, ut animum intendatis vestrum ad novas illas cogitandi iudicandique rationes de christiana pietate, quam “obiectivam” vocant; quae quidem rationes, dum mystici Corporis mysterium itemque veracem gratiae actionem sanctitatis effectricem divinosque sacramentorum et eucharistici sacrificii actus in perspicuo po[533]nere conantur, eo tamen contendere videntur, ut “subiectivam” seu “personalem” quam dicunt pietatem vel imminuant vel omnino praetermittant. … Christus [per sacramenta et per sacrificium suum] nullo non tempore humanum genus expiat Deoque consecrat. Ea igitur “obiectiva”, quae dicitur, virtute pollent, quae reapse animos nostros divinae Iesu Christi vitae facit participes. Ideo non ex nostra, sed ex divina virtute eis effectrix illa vis inest, quae membrorum pietatem cum Capitis pietate coniungit eamdemque quodammodo reddit totius communitatis actionem. Quibus ex acutis argumentis nonnulli concludunt, christiana omnis pietas in mystici Corporis Christi mysterio consistat oportere, nulla habita “personali” seu “subiectiva” ut aiunt ratione, atque adeo cetera religionis opera neglegenda reputant, quae cum sacra Liturgia arcte non devinciantur et extra cultum publicum absolvantur. Quas tamen circa duplicis pietatis genera conclusiones, quamvis optima sint quae supra proponuntur principia, fallaces omnino esse, insidiosas ac perniciosissimas nemo est qui non videat. Utique retinendum est sacramenta altarisque sacrificium intimam habere in semet ipsis virtutem, utpote quae sint ipsius Christi actiones …; verumtamen ut eadem debitam efficaciam habeant, opus est prorsus, ut rectae animi nostri dispositiones accedant. …

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