Denzinger · DH 3892

DH 3892

É coisa sabida o quanto estima a Igreja a humana razão, à qual compete demonstrar com certeza a existência de Deus único e pessoal, comprovar invencivelmente os fundamentos da própria fé cristã por meio de suas notas divinas, expressar de maneira conveniente a lei que o Criador imprimiu nas almas dos homens, e, por fim, alcançar algum conhecimento dos mistérios, e este, por certo, frutuosíssimo 1 . Mas a razão somente poderá exercer tal oficio de modo apto e seguro se tiver sido cultivada convenientemente, isto é, se estiver imbuída daquela sã filosofia, que é já como que um patrimônio herdado das precedentes gerações cristãs e que, por conseguinte, goza de uma autoridade de ordem supe- 861 rior, porquanto o próprio Magistério da Igreja chamou à balança da mesma “revelação” divina os seus princípios e os seus fundamentais assertos, manifestados e definidos paulatinamente por homens de grande talento. Essa filosofia, reconhecida e aceita na Igreja, defende o verdadeiro e reto valor do conhecimento humano, bem como os inconcussos princípios metafísicos – a saber, da razão suficiente, causalidade e finalidade – e a aquisição da verdade certa e imutável.

Latim

In comperto est quanti Ecclesia humanam rationem faciat, quod pertinet ad exsistentiam unius Dei personalis certo demonstrandam, itemque ad ipsius christianae fidei fundamenta signis divinis invicte comprobanda; parique modo ad legem, quam Creator animis hominum indidit, rite exprimendam; ac denique ad aliquam mysteriorum intellegentiam assequendam eamque fructuosissimam 1 . Hoc tamen munus ratio tum solum apte ac tuto absolvere poterit, cum debito modo exculta fuerit; nempe cum fuerit sana illa philosophia imbuta, quae veluti patrimonium iamdudum exstat a superioribus christianis aetatibus traditum, atque adeo altioris etiam ordinis auctoritatem habet, quia ipsum Magisterium Ecclesiae, eius principia ac praecipua asserta, a viris magni ingenii paulatim patefacta ac defi[572]nita, ad ipsius divinae “revelationis” trutinam vocavit. Quae quidem philosophia in Ecclesia agnita ac recepta, et verum sincerumque cognitionis humanae valorem tuetur, et metaphysica inconcussa principia – rationis nempe sufficientis, causalitatis, et finalitatis – ac demum certae et immutabilis veritatis assecutionem.

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