DH 3911
Recentemente tivemos de reprovar com tristeza a opinião dos que chegam a apresentar o casamento como meio único de garantir à personalidade humana o seu desenvolvimento e a sua perfeição natural 1 . Alguns afirmam, de fato, que a graça, comunicada ex opere operato pelo sacramento do matrimônio, santifica o uso do casamento a ponto de o tornar instrumento para unir as almas a Deus mais eficaz que a própria virgindade, porque o casamento cristão é um sacramento, mas não o é a virgindade. Denunciamos porém essa doutrina como falsa e nociva. Sem dúvida, o sacramento concede aos esposos a divina graça para cumprirem santamente o dever conjugal, como também reforça os laços do afeto recíproco que os une; mas não foi instituído para fazer do uso do matrimônio como que um meio mais apto, em si, para unir com o próprio Deus a alma dos esposos pelos laços da caridade [*3838]. Quando o Apóstolo Paulo reconhece aos esposos o direito de se absterem algum tempo do uso do casamento para se entregarem a oração [cf. 1Cor 7,5], não é exatamente porque tal renúncia torna a alma mais livre para se dar às coisas celestiais e à oração a Deus?
Recentius autem eorum sententiam maerenti animo reprobavimus, qui eo usque procedunt ut coniugium asseverent unum [176] esse, quod naturale personae humanae incrementum debitamque perfectionem tueri possit 1 . Nonnulli enim affirmant divinam gratiam, a matrimonii sacramento ex opere operato impertitam, ita coniugii usum sanctum reddere, ut instrumentum evadat ad singulos animos cum Deo coniungendos efficacius quam virginitas ipsa, quandoquidem matrimonium christianum, non autem virginitas, sacramentum est. Quam quidem doctrinam utpote falsam ac detrimentosam denuntiamus. Utique enim hoc sacramentum divinam sponsis impertit gratiam ad coniugale officium sancte obeundum; utique mutui amoris nexus confirmat, quibus iidem una invicem continentur; verumtamen non ad id institutum est ut coniugii usum veluti instrumentum reddat per se magis aptum ad sponsorum animos caritatis vinculo cum Deo ipso coniungendos [cf. *3838]. Nonne potius Apostolus Paulus coniugibus ius agnoscit a matrimonii usu se abstinendi ad tempus, ut vacent orationi [cf. 1 Cor 7,5], idcirco quia eiusmodi abstinentia liberiorem reddit animum, qui velit caelestibus rebus Deique supplicationibus se dedere?