DH 4158
32. A santa Igreja, por instituição divina, é organizada e governada com uma variedade admirável. “Assim como num mesmo corpo temos muitos membros, e nem todos têm a mesma função, assim, sendo muitos, formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros” [Rm 12,4s]. Um só é, pois, o Povo eleito de Deus: “um só Senhor, uma só fé, um só batismo [Ef 4,5]; comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo; comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição, uma só salvação, uma só esperança e indivisa caridade. Nenhuma desigualdade, portanto, em Cristo e na Igreja, por motivo de etnia ou de nação, de condição social ou de sexo, porque “não há judeu nem grego, escravo nem homem livre, homem nem mulher: com efeito, em Cristo Jesus, todos vós sois ‘um só’” [Gl 3,28 gr.; cf. Cl 3,11]. Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus [cf. 2Pd 1,1]. Ainda que, por vontade de Cristo, alguns são constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do Corpo de Cristo. A distinção que o Senhor estabeleceu entre os ministros sagrados e o restante Povo de Deus contribui para a união, já que os pastores e os demais fiéis estão ligados uns aos outros por uma vinculação comum: os pastores da Igreja, imitando o exemplo do Senhor, prestem serviço uns aos outros e aos fiéis, e estes dêem com entusiasmo a sua colaboração aos pastores e doutores. Deste modo, todos testemu- 953 nham, na variedade, a admirável unidade do Corpo místico de Cristo: a própria diversidade de graças, ministérios e atividades, consagra em unidade os filhos de Deus, porque “um só e o mesmo é o Espírito que opera todas estas coisas” [1Cor 12,11]. Os leigos, portanto, do mesmo modo que, por divina condescendência, têm por irmão a Cristo, o qual, apesar de ser Senhor de todos, não veio para ser servido mas para servir [cf. Mt 20,28], de igual modo têm por irmãos aqueles que, uma vez estabelecidos no sagrado ministério, apascentam a família de Deus ensinando, santificando e governando com a autoridade de Cristo, de modo que o mandamento da caridade seja observado por todos. A este respeito diz belissimamente S. Agostinho: “Onde me aterra o que sou para vós, consola-me o estar convosco. Pois, para vós, sou bispo, convosco, cristão. Aquele é nome de ofício, este, de graça; aquele, de perigo, este, de salvação” 1 .
32. Ecclesia sancta, ex divina institutione, mira varietate ordinatur et regitur. “Sicut enim in uno corpore multa membra habemus, omnia autem membra non eundem actum habent: ita multi unum corpus sumus in Christo, singuli autem alter alterius membra” [Rm 12,4-5]. Unus est ergo Populus Dei electus: “unus Dominus, una fides, unum baptisma” [Eph 4,5]; communis dignitas membrorum ex eorum in Christo regeneratione, communis filiorum gratia, communis ad perfectionem vocatio, una salus, una spes indivisaque caritas. Nulla igitur in Christo et in Ecclesia inaequalitas, spectata stirpe vel natione, condicione sociali vel sexu, quia “non est Iudaeus neque Graecus: non est servus neque liber: non est masculus neque femina. Omnes enim vos ‘unus’ estis in Christo Iesu” [Gal 3,28; cf. Col 3,11]. Si igitur in Ecclesia non omnes eadem via incedunt, omnes tamen ad sanctitatem vocantur et coaequalem sortiti sunt fidem in iustitia Dei [cf. 2 Pt 1,1]. Etsi quidam ex voluntate Christi ut doctores, mysteriorum dispensatores et pastores pro aliis constituuntur, vera tamen inter omnes viget aequalitas quoad dignitatem et actionem cunctis fidelibus communem circa aedificationem Corporis Christi. Distinctio enim quam Dominus posuit inter sacros ministros et reliquum Populum Dei, secumfert coniunctionem, cum Pastores et alii fideles inter se communi necessitudine devinciantur; Ecclesiae Pastores, exemplum Dei secuti, sibi invicem aliisque fidelibus ministrent, hi autem alacriter Pastoribus et doctoribus sociam operam praestent. Sic in varietate omnes testimonium perhibent de mirabili unitate in Corpore Christi: ipsa enim diversitas gratiarum, ministrationum et oprationum filios Dei in unum colligit, quia “haec omnia operatur unus atque idem Spiritus” [1 Cor 12,11]. Laici igitur sicut ex divina dignatione fratrem habent Christum, qui cum sit Dominus omnium, venit tamen non ministrari sed ministrare [cf. Mt 20,28], ita etiam fratres habent eos, qui in sacro ministerio positi, auctoritate Christi docendo et sanctificando et regendo familiam Dei ita pascunt, ut mandatum novum caritatis ab omnibus impleatur. Quocirca pulcherrime dicit S. Augustinus: “Ubi me terret [39] quod vobis sum, ibi me consolatur quod vobiscum sum. Vobis enim sum episcopus, vobiscum sum christianus. Illud est nomen officii, hoc gratiae; illud periculi est, hoc salutis” 1 .