DH 4312
12. (O ser humano à imagem de Deus). Todos, os fiéis como os não crentes, mais ou menos concordam que tudo que existe na terra deve ser ordenado em função do ser humano, centro e ápice de todas as coisas. Mas, que é o homem? Ele próprio já formulou e continua a formular acerca de si mesmo inúmeras opiniões, diferentes entre si e até contraditórias, e nelas muitas vezes se exalta até se constituir a si mesmo como norma absoluta, enquanto outras vezes se abate até ao desespero. Daí as suas dúvidas e angústias. A Igreja sente profundamente essas dificuldades e, instruída pela revelação de Deus, pode dar-lhes uma resposta que defina a verdadeira condição do homem, explique as suas fraquezas, ao mesmo tempo que permita conhecer com exatidão a sua dignidade e vocação. 1004 A Sagrada Escritura ensina que o homem foi criado “à imagem de Deus”, capaz de conhecer e amar seu Criador e por este constituído senhor de , todas as criaturas terrenas 1 , para as dominar e delas . se servir, dando glória a Deus 2 . “Que é, pois, o homem, para que dele te lembres? ou o filho do homem, para que te preocupes com ele? Fizeste dele pouco menos que um anjo, coroando-o de glória e de esplendor. Estabeleceste-o sobre a obra de tuas mãos, tudo puseste sob os seus pés” [Sl 8,5-7]. Deus, porém, não criou o homem só: desde o princípio “os criou varão e mulher” [Gn 1,27], e a sua união constitui a primeira forma de comunhão entre pessoas. Pois o homem, por sua própria natureza, é um ser social, que não pode viver nem desenvolver as suas qualidades sem entrar em relação com os outros. Como lemos ainda na Sagrada Escritura, “Deus viu tudo quanto havia feito, <e viu> que era muito bom” [Gn 1,31].
12. (De homine ad imaginem Dei). Secundum credentium et non credentium fere concordem sententiam, omnia quae in terra sunt ad hominem, tamquam ad centrum suum et culmen, ordinanda sunt. Quid est autem homo? Multas opiniones de seipso protulit et profert, varias et etiam contrarias, quibus saepe vel se tamquam absolutam regulam exaltat vel usque ad desperationem deprimit, exinde anceps et anxius. Quas quidem difficultates Ecclesia persentiens, a Deo revelante instructa eisdem responsum afferre potest, quo vera hominis condicio delineetur, explanentur eius infirmitates, simulque eius dignitas et vocatio recte agnosci possint. Sacrae enim Litterae docent hominem “ad imaginem Dei” creatum esse, capacem suum Creatorem cognoscendi et amandi, ab eo tamquam dominum super omnes creaturas terrenas constitutum 1 ut eas regeret, eisque uteretur, glorificans Deum 2 “Quid est homo quod memor es eius? aut filius hominis, quoniam visitas eum? Minuisti eum paulo minus ab angelis, gloria et honore coronasti eum, et constituisti eum super opera manuum tuarum. Omnia subiecisti sum pedibus eius” [Ps 8,5-7]. At Deus non creavit hominem solum: nam inde a primordiis “masculum et feminam creavit eos” [Gn 1,27], quorum consociatio primam formam efficit communionis personarum. Homo etenim ex intima sua natura ens sociale est, atque sine relationibus cum aliis nec vivere nec suas dotes expandere potest. Deus igitur, sicut iterum in sacra Pagina legimus, vidit “cuncta quae fecerat, ut erant valde bona” [Gn 1,31].