DH 4406
Esta instrução primeva, transmitida primeiro oralmente, depois por escrito – pois logo muitos empreenderam “ordenar o relato dos fatos” [cf. Lc 1,1] a respeito do Senhor – os autores sagrados, para o bem da Igreja, a consignaram nos quatro Evangelhos, segundo um método adaptado ao fim que cada um se propôs. Escolhendo entre a abundância do material transmitido alguns elementos, resumindo outros, explicando alguns em consideração à situação da Igreja, 1042 empenharam-se para que os leitores pudessem verificar a solidez das palavras nas quais tinham sido instruídos [cf. Lc 1,4]. Os hagiógrafos, com efeito, escolheram com preferência dentre aquilo que receberam o que era apropriado às diversas condições dos fiéis e ao objetivo que se puseram, e o narraram da maneira que correspondesse a estas condições e finalidade. Como o sentido de um enunciado depende também da ordem da exposição, os evangelistas transmitiram as palavras e gestos do Salvador ora em tal, ora em tal outro contexto, explicando-os para a utilidade dos leitores. Por isso, o exegeta deve investigar qual é a intenção do evangelista ao transmitir uma palavra ou fato de tal ou tal maneira, ou inserindo-os em determinado contexto. Não prejudica a verdade da narrativa o fato de os evangelistas narrarem as palavras e os atos do Senhor em ordem diferente 1 , ou de expressarem suas palavras não de maneira literal, mas de modos diversos, conservando-lhes o sentido 2 . …
Hanc instructionem primaevam, prius ore, deinde scripto traditam – nam mox evenit ut multi conarentur “ordinare narrationem rerum” [cf. Lc 1,1] quae Dominum Iesum respiciebant – auctores sacri methodo, peculiari fini quem quisque sibi proposuit congrua, ad utilitatem ecclesiarum quattuor evangeliis consignaverunt. Quaedam e multis traditis selegentes, quaedam in synthesim redigentes, quaedam ad statum ecclesiarum attendendo explanantes, omni ope annisi sunt, ut lectores eorum verborum de quibus eruditi erant, cognoscerent firmitatem [cf. Lc 1,4]. Hagiographi enim ex eis quae acceperunt ea potissimum selegerunt, quae variis condicionibus fidelium et fini a se intento accommodata erant, eademque eo modo narrabant qui eisdem condicionibus eidemque fini congruebat. Cum sensus enuntiationis etiam a consecutione rerum pendeat, Evangelistae tradentes verba vel res gestas Salvatoris, hic in alio, ille in alio contextu, ea ad utilitatem lectorum explicaverunt. Quapropter indaget exegeta quid Evangelista, dictum vel factum hoc modo narrans vel in certo contextu ponens, intenderit. Veritati narrationis enim minime officit Evangelistas dicta vel res gestas Domini diverso ordine referre 1 eiusque sententias non ad litteram, sensu tamen retento, diversimode exprimere 2 . … …