Denzinger · DH 4812

DH 4812

29. Um desenvolvimento que não é só econômico mede-se e orienta-se segundo a realidade e a vocação do ser humano visto sob todos os aspectos, ou seja, também na sua realidade interior. O homem tem necessidade, sem dúvida, dos bens criados e dos produtos produzidos pela indústria, que cresce pelo contínuo progresso científico e tecnológico. Ora, a utilização sempre nova dos bens materiais, na medida em que vem ao encontro das necessidades, abre novos horizontes. O perigo do abuso do consumo e o aparecimento das necessidades artificiais não devem, de modo algum, impedir a estima e a utilização dos novos bens e dos novos recursos postos à nossa disposição; devemos mesmo ver nisso um dom de Deus e uma resposta à vocação do homem, que se realiza plenamente em Cristo. Mas para alcançar o verdadeiro desenvolvimento é necessário não perder jamais de vista aquelas partes da alma constitutivas da natureza específica do ser humano, criado por Deus à sua imagem e semelhança [cf. Gn 1,26]: natureza corporal e espiritual, simbolizada, no segundo relato da criação, pelos dois elementos, a terra, com que Deus plasma o corpo do homem, e o sopro de vida nele insuflado [Gn 2,7]. 1138 O homem, deste modo, passa a ter uma linha de afinidade com as outras criaturas: é chamado a utilizá-las, a cuidar delas e, sempre segundo a narração do Gênesis [Gn 2,15], é colocado no jardim, com a tarefa de o cultivar e guardar, estando acima de todos os outros seres, postos por Deus sob o seu domínio [Gn 1,26]. Mas, ao mesmo tempo, o homem deve permanecer submetido à vontade de Deus, que lhe prescreve limites no uso e no domínio das coisas [Gn 2,16s], assim como lhe promete a imortalidade [Gn 2,9; Sb 2,23]. O ser humano, portanto, sendo imagem de Deus, tem uma verdadeira afinidade também com ele. Com base nesta doutrina, vê-se que o desenvolvimento não pode consistir somente no uso e domínio e na posse indiscriminada das coisas criadas e da técnica e artefatos humanos, mas sobretudo em subordinar a posse, o domínio e o uso à semelhança divina do homem e à sua vocação para a imortalidade. …

Latim

[550] … 29. Progressio non tantummodo oeconomica aestimatur ac dirigitur secundum naturam et vocationem hominis ad omnem rationem perpensi, seu etiam in eius animi partibus. Qui sine dubio bonis indiget creatis rebusque machinali industria perfectis, quae frequenti augetur profectu scientiarum et artium technicarum. Semper autem novus usus bonorum corporeorum, dum necessitatibus subvenit, novos etiam aperit prospectus. Periculum pravi consumendarum rerum usus atque supervenientes artificiosae necessitates haudquaquam obstare debent aestimationi et usui novorum bonorum et opum, quae in promptu nobis sunt; quin etiam habenda sunt tamquam donum Dei, necnon responsum humanae vocationi, quae in Christo plene perficitur. [551] Ad veram tamen hominis progressionem ut perveniatur, necesse est ne illae animi partes neglegantur, in quibus propria ipsius hominis consistit natura, quem scilicet creavit Deus ad imaginem et similitudinem suam [cf. Gn 1,26]. Natura corporea et spiritalis, cuius imago ex altera Genesis narratione [Gn 2,7] duobus efficitur elementis: terra, qua Deus format corpus hominis, atque spiritu vitae, quem ei ipse inhalat. Ita homo aliquam habet similitudinem cum ceteris creaturis: ipse invitatur ad commoditatem ex iis percipiendam, ad curamque earum agendam atque, sicut ipsa in Genesi narrantur res [Gn 2,15], in horto collocatur ut colat atque tueatur, idemque constituitur supra omnia animantia, quae Deus in eius potestate posuit [Gn 1,26]. Uno vero eodemque tempore homo manere debet Dei voluntati subditus, qui in usu ac potestate rerum limites imponit ei [Gn 2,16s], quemadmodum immortalitatem ei promittit [Gn 2,9; Sap 2,23]. Homo igitur, cum sit imago Dei, et aliquam cum eo similitudinem habet. Secundum eiusmodi doctrinae principia progressio hominis nequit tantummodo consistere in usu et in potestate et omnimoda in possessione bonorum creatorum necnon rerum artibus et artificiis hominis perfectarum, sed potius in subicienda possessione, potestate, tractatione rerum sub similitudinem hominis cum Deo et sub eius vocationem ad immortalitatem assequendam. …

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