DH 4817
38. … Para os cristãos, como para todos aqueles que reconhecem o significado teológico expresso da palavra “pecado”, a mudança de comportamento, mentalidade ou maneira de ser chama-se, na linguagem bíblica, “conversão” [cf. Mc 1,15; Lc 13,3.5; Is 30,15]. … No caminho da desejada conversão, rumo à superação dos obstáculos morais para o desenvolvimento, pode-se já apontar, como valor definido e moral, a consciência crescente da interdependência entre os homens e as nações. O fato de homens e mulheres, em várias partes do mundo, sentirem como próprias as injustiças e as violações dos direitos humanos cometidas em países longínquos, que talvez nunca visitem, é mais um sinal de uma realidade interiorizada na consciência, adquirindo assim uma conotação moral. Trata-se antes de tudo da interdependência que é apreendida como sistema determinante de relações no mundo contemporâneo em suas componentes – a economia, a cultura, a ciência da administração 1140 pública, a religião –, e assumida como categoria moral. Quando a interdependência é assim reconhecida e assumida, a resposta correlativa, como atitude moral e social e como “virtude”, é a solidariedade. Esta, portanto, não é um mero vago sentimento de compaixão ou superficial enternecimento pelos males sofridos por tantas pessoas próximas ou distantes; pelo contrário, é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque a todos realmente assumimos em nós. …
38. … [565] … Quod ad christianos attinet, sicut et ad omnes, qui vocis “peccati” expressam significationem theologicam agnoscunt, mutatio rationis vivendi et mentis vel modi, quo quis est, sermone biblico vocatur “conversio” [cf. Mc 1,15; Lc 13,35; Is 30,15]. … In itinere optatae conversionis versus superationem moralium impedimentorum, quae progressioni obstant, iam indicari potest ut bonum definitum et morale maior intellegentia homines et nationes copulari inter se. Quod viri et mulieres, in variis mundi partibus, tamquam proprias sentiunt iniustitias et violationes iurium humanorum longinquis in regionibus actas, quas numquam fortasse visent, aliud est signum quendam eventum esse mutatum in conscientiam et notam moralem esse consecutum. Agitur ante omnia de mutua copulatione, quae recipitur uti systema praeponderans rationum in mundo nostri temporis, in eius partibus, seu oeconomia, cultura, res publicas administrandi scientia, religione, et ut genus morale assumitur. Cum ita mutua copulatio agnoscitur et assumitur, ei respondet, tamquam habitus moralis et socialis, tamquam “virtus”, consensio; quae igitur non simplex est et vagus misericordiae sensus vel levis miseratio tot personarum malis tributa, vicinarum aut longinquarum; sed est contra voluntas [566] firma et constans bonum curandi commune, seu bonum uniuscuiusque et omnium, quia omnes vere recipimus in nos. …