DH 4818
39. A prática da solidariedade em cada sociedade é eficaz, quando os seus membros se reconhecem uns aos outros como pessoas. Aqueles que contam mais, dispondo de uma parte maior de bens e de serviços comuns, devem sentir-se responsáveis pelos mais fracos e estar dispostos a compartilhar com eles o que possuem. Por seu lado, os mais fracos, na mesma linha de solidariedade, não devem adotar uma atitude meramente passiva ou destrutiva do tecido social; mas, embora vindicando seus direitos legítimos, devem fazer o que lhes compete para o bem de todos. Os setores intermédios, por sua vez, não deveriam insistir de modo egoísta nos seus próprios interesses, mas respeitar os interesses dos outros. … O mesmo critério aplica-se, por analogia, nas relações internacionais. A interdependência deve transformar-se em concórdia, fundada sobre o princípio de que os bens da criação são destinados a todos. Aquilo que a indústria humana produz com a transformação das matérias-primas deve, com a contribuição do trabalho, servir para o bem de todos. … Deste modo, a solidariedade que Nós propomos é caminho para a paz e, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento. Com efeito, a paz do mundo é inconcebível se não se chegar, por parte dos responsáveis, ao reconhecimento de que a interdependência exige por si mesma a superação da política dos “blocos de nações inimigas”, a renúncia a todas as formas de imperialismo econômico, militar ou político, e a transformação da recíproca desconfiança em cooperação, que é, precisamente, o procedimento próprio da solidariedade entre os indivíduos e entre as nações. …
39. Consensionis exercitium in omni societate efficax est, cum eius participes se vicissim agnoscunt ut personas. Qui plus pollent, quia maiora habent bona et communes apparatus, sentiant se esse humiliorum cautores et paratos ad ea communicanda cum iis, quae possident; debiliores vero, eandem sequentes consensionem, non desidi agendi modo se gerant vel ordinis societatis destructivo, sed, quamvis legitima sua vindicent iura, id faciant, quod ad eos spectet, pro omnium bono. Coetus autem interpositi ne contendant solummodo de sua peculiari utilitate, sed aliorum causas observent. … Eadem regula per similitudinem adhibetur in consuetudinibus gentium. Mutua copulatio mutanda est in concordiam, positam in principio omnia naturae bona esse omnibus desti[567]nata. Quae humana industria edit materias primas elaborando, bono omnium debent, labore iuvante, prodesse. … [568] Consensio ita, quam Nos proponimus, est simul via ad pacem et ad progressionem. Pax mundi namque ne in cogitationem quidem cadit, nisi ii, qui in haec incumbunt, agnoscunt mutuam copulationem exigere superationem rationis politicae “adversarum nationum compagum”, reiectionem cuiuslibet formae dominandi, ad oeconomiam, militiam vel politicam artem pertinentis, et mutationem mutuae diffidentiae in consociatam operam, quae sane actus proprius est consensionis inter homines et Nationes. …