DH 4902
34. Tanto em nível da cada nação, como no das relações internacionais, o livre mercado parece ser o instrumento mais eficaz para dinamizar os recursos e corresponder eficazmente às necessidades. Isto, contudo, vale apenas para as necessidades “solvíveis”, que gozam da possibilidade de aquisição, e para os recursos “comercializáveis”, isto é, capazes de obter um preço adequado. Mas existem numerosas carências humanas que não chegam ao mercado. É estrito dever de justiça e verdade impedir que as necessidades humanas fundamentais permaneçam insatisfeitas e que pereçam os homens por elas oprimidos. Além disso, é necessário que estes homens carenciados sejam ajudados a adquirir os conhecimentos, a entrar no círculo de relações, a desenvolver as suas aptidões, para melhor valorizar as suas capacidades e recursos. Ainda antes da lógica da comercialização dos valores equivalentes e das formas de justiça que lhe são próprias, existe algo que é devido ao homem porque é homem, com base na sua eminente dignidade. Esse algo devido comporta inseparavelmente a possibilidade de a pessoa sobreviver e contribuir efetivamente para o bem comum de toda a humanidade. …
[835] 34. Simul quod ad singulas Nationes spectat simul quod rationes internationales, liberum commercium videtur efficacissima via ad opes collocandas et ad necessitatibus feliciter respondendum. Hoc tamen solum valet de eis necessitatibus, quae “ad solvendum sunt” quae pondus emptionis habent, [836] et de opibus quae “ad vendendum” sunt quanti aequum est. Sed quaedam exsistunt postulata humana quae ad mercaturam non attinent. Grave est caritatis et iustitiae officium prohibere ne fundamentales humanae necessitates non satiatae maneant et homines qui iis premuntur pereant. Est praeterea necesse hos homines indigentes adiuvari ad consequendas cognitiones, ad ineundas mutuas conexiones, ad excolendas suas dotes et habilitates quibus possint suarum opum et facultatum virtutem augere. Ante rationem permutationis rerum parium et ante iustitiae genera quae eius sunt propria, aliquid viget quod homini debetur quia homo est ob eius eminentem dignitatem. Hoc aliquid, quod debetur, potestatem flagitat qua quis superstes vivat et reapse ad bonum commune totius generis humani conducat. …