DH 4905
37. Igualmente preocupante, ao lado do problema do consumismo e com ele estreitamente ligada, é a questão ecológica. Tomadas mais pelo desejo do ter e do prazer do que pelo de ser e de crescer, as pessoas consomem de maneira excessiva e desordenada os recursos da terra e da sua própria vida. Na raiz da destruição insensata do ambiente natural há um erro antropológico, infelizmente muito espalhado no nosso tempo. O homem, ao descobrir sua capacidade de transformar e, de certo modo, “criar” o mundo com o próprio trabalho, esquece que este se efetua sempre sobre a base da doação originária das coisas por parte de Deus. <O homem> pensa que pode dispor arbia trariamente da terra, submetendo-a sem reservas à sua vontade, como se ela não possuísse uma forma própria e um destino anterior que Deus lhe deu, que o homem pode, sim, desenvolver, mas não deve trair. Em vez de realizar o seu papel de colaborador de Deus na obra da criação, o homem substitui-se a Deus e, assim, acaba por provocar a revolta da natureza, que ele antes tiraniza do que governa 1 . …
[840] 37. Praeter consumptionis quaestionem, aliquid sollicitudinis habet estque illi arcte iuncta, quaestio oecologica. Homo enim magis habere cupiens et gaudere quam esse et crescere, immodice et sine moderatione opes terrae et suae ipsius vitae absorbet. Stultae locorum naturalium destructioni error subest anthropologicus nostra aetate sane diffusus. Homo, qui intellegit se posse suo opere mundum mutare et quodammodo “creare”, obliviscitur hoc opus semper exerceri supra fundamentum primigeniae donationis rerum a Deo factae. Iste cogitat sibi licere arbitrio suo terra uti et frui eam sine condicione voluntati suae subicienti, ac si ea suam non habeat formam et destinationem priorem sibi Deo tributam, quam homo potest quidem excolere non autem prodere debet. Nedum suo fungatur munere cooperatoris Dei in mundo, non recte homo in Dei locum succedit sicque abit ad concitandam naturae detrectationem quam is potius vexat quam gubernat 1 . …