DH 4904
36. … O pedido de uma existência mais aceitável e mais rica é, em si mesmo, legítimo; mas devemos sublinhar as novas responsabilidades e os perigos conexos com esta fase histórica. No mundo onde surgem e se definem as novas necessidades, está sempre subjacente uma concepção mais ou menos adequada do homem e do seu verdadeiro bem: através das opções de produção e de consumo, manifesta-se uma determinada cultura, como concepção global da vida. É aqui que surge o fenômeno do consumismo. Individuando novas necessidades e novas modalidades para a sua satisfação, é necessário deixar-se guiar por uma imagem integral do homem, que respeite todas as dimensões do seu ser e subordine as necessidades materiais e naturais às interiores e espirituais. Caso contrário, explorando diretamente os seus instintos e prescindindo, de diversos modos, da sua realidade pessoal consciente e livre, podem-se criar hábitos de consumo e estilos de vida objetivamente ilícitos, e freqüentemente prejudiciais à sua saúde de corpo e alma. O sistema econômico em si mesmo não possui critérios que permitam distinguir corretamente as formas novas e mais elevadas de satisfação das necessidades humanas, das necessidades artificialmente criadas que se opõem à formação de uma personalidade madura. Torna-se, por isso, necessária e urgente uma grande obra educativa e cultural, que abranja a educação dos consumidores para um uso responsável do seu poder de escolha, a formação de um alto sentido de responsabilidade nos produtores, e, sobretudo, nos profissionais dos meios de comunicação de massa, além da necessária intervenção das autoridades públicas. … Não é errado desejar uma vida melhor, mas errado é o estilo de vida que se presume melhor quando orientada ao ter e não ao ser, desejando ter mais, não para ser mais, mas para consumir a existência no 1162 prazer supérfluo e vazio 1 . É necessário, por isso, esforçar-se por construir estilos de vida nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunhão com os outros, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento. …
36. … Postulatio ipsius vitae, natura sua acceptioris et ditioris, est per se legitima; tamen non possunt non in luce poni nova officia et pericula huic historico tempori cohaerentia. Modis, quibus novae necessitates oriuntur et definiuntur, semper subest notio plus minusve homini eiusque vero bono consentanea: ex delectibus bonorum efficiendorum et consumendorum certa se patefacit cultura, uti universalis vitae notio. Hinc oritur nimium rerum consumendarum studium. In deprehendendis novis necessitatibus novisque viis satisfaciendi eis, oportet quemque sinere se integra hominis imagine dirigi, quae observet momenta eius uti hominis et materialia ac naturalia interioribus et spiritalibus subiciat. Si quis autem suos directo spectat appetitus et praetermittit naturam personae suae consciae et liberae, importari possunt mores consumptionis et [839] vitae consuetudines ipsae per se vitiosae aut eius corporis et animi sanitati nocentes. Institutum oeconomicum in se normas non habet quibus possit recte discernere modos novos et altiores satiandi necessitates humanas ab ipsis novis necessitatibus invectis, quae personae maturae formationi obstant. Necessarium igitur est, et urget magnum opus institutorium et culturale, quod comprehendat emptorum formationem ad prudentem usum potestatis suae seligendi ac formationem ipsorum effectorum ad acrem officii conscientiam et imprimis eorum qui artem exercent utendi instrumentis communicationis socialis, iam praeter necessarium civilium Auctoritatum interventum. … Malum non est melius vivere cupere sed mala est constitutio vitae, quae melior esse iudicatur, cum id spectat ut quis habeat non ut sit, et cum is plus habere vult non ut plus ipse sit sed ut vita absumatur supervacanea voluptate 1 . Curandum est idcirco ut vitae rationes constituantur, in quibus conquisitio veri pulchri boni et communio cum ceteris hominibus propter communem progressionem electiones efficiant consumptionum, compendiorum, pecuniae collocationum. …