Denzinger · DH 5076

DH 5076

16. … O caráter peculiar que marca o texto bíblico consiste na convicção de que existe uma unidade profunda e indivisível entre o conhecimento da razão e o da fé. O mundo e o que nele acontece, assim como a história e as diversas vicissitudes da nação são realidades que podem ser observadas, analisadas e julgadas com os meios próprios da razão, mas sem deixar a fé alheia a este processo. Esta não intervém para derrubar a autonomia da razão, nem para reduzir o seu espaço de ação, mas apenas para fazer compreender ao homem que, em tais acontecimentos, se torna visível e atua o Deus de Israel. … 23. … A filosofia, que por si mesma já é capaz de reconhecer a necessidade de o homem se transcender continuamente na busca da verdade, pode, ajudada pela fé, abrir-se para, na “loucura” da Cruz, acolher como genuína a crítica de quantos se iludem de possuir a verdade, encalhando-a nos estreitos de um sistema próprio. A relação entre a fé e a filosofia encontra, na pregação de Cristo crucificado e ressuscitado, o escolho contra o qual pode naufragar, mas também para além do qual pode desembocar no oceano ilimitado da verdade. Aqui é evidente a fronteira entre a razão e a fé, mas torna-se claro também o espaço onde as duas se podem encontrar.

Latim

[19] 16. … Proprietas ea, qua textus biblicus signatur, in eo consistit quod persuadetur aliam et continuam exsistere coniunctionem inter rationis cognitionem atque fidei. Mundus eaque omnia quae in illo contingunt, perinde ac historia variique populi eventus, res quidem sunt respiciendae explorandae et iudicandae propriis rationis instrumentis, fide tamen ab hoc processu haudquaquam subtracta. Ipsa non ideo intercedit ut autonomiam rationis deiciat aut eius actionis regionem deminuat, sed tantummodo ut homini explicit his in eventibus visibilem fieri agereque Deum Israelis. … [24] 23. … Philosophia, quae iam ex se agnoscere potest perpetuum hominis ascensum adversus veritatem, adiuvante fide potest se recludere ad recipiendum in “stultitia” Crucis criticum iudicium eorum qui falso arbitrantur se veritatem possidere, dum eam angustiis sui philosophici instituti involvunt. Inter fidem et philosophiam necessitudo in Christi crucifixi ac resuscitati praedicatione scopulum offendit ad quem naufragium facere potest, sed ultra quem patescere potest infinitum veritatis spatium. Hic liquido indicatur inter rationem ac fidem limes; at locus similiter clarus elucescit ubi ambae ipsae congredi possunt.

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