DH 526
(4) Professamos também que o F i l h o é nascido da substância do Pai, sem início, antes dos séculos, porém não criado: pois nem o Pai existiu jamais sem o Filho, nem o Filho sem o Pai. (5) E, todavia, o Pai não é do Filho como o Filho do Pai, pois o Pai não recebeu a geração do Filho, mas o Filho do Pai. O Filho é portanto Deus pelo Pai, o Pai ao invés é Deus, mas não pelo Filho; ele é de fato Pai do Filho, não Deus pelo Filho; este, ao contrário, é Filho do Pai e Deus pelo Pai. Todavia, o Filho é igual em tudo a Deus Pai, já que o seu nascimento nem teve início, nem cessou num determinado momento. (6) Cremos também que ele é de uma única substância com o Pai, pelo que é chamado também ao Pai, isto é, da mesma substância que o Pai; pois em grego, significa “um”, “substância”, e os dois juntos significam “uma só substância”. De fato, devemos crer que o Filho não foi gerado nem do nada, nem de qualquer outra substância, mas do seio do Pai, isto é, de sua substância. (7) Eterno é portanto o Pai, eterno também o Filho. Se sempre, porém, foi Pai, teve sempre o Filho de quem era Pai, e portanto professamos o Filho nascido do Pai sem início. (8) De fato, não o chamamos Filho de Deus por ter sido gerado pelo Pai como “porciúncula de uma natureza seccionada” 1 , mas afirmamos, sim, que o Pai perfeito gerou, sem diminuição e sem separação, um Filho perfeito, pois somente à divindade compete não ter um Filho desigual. (9) Este Filho é também Filho por natureza, não por adoção 2 , ele que Deus Pai, como devemos crer, gerou não por vontade, nem por necessidade, já que em Deus nem cabe qualquer necessidade, nem a vontade precede a sabedoria.
(4) F i l i u m quoque de substantia Patris sine initio ante saecula natum, nec tamen factum esse fatemur: quia nec Pater sine Filio, nec Filius aliquando exstitit sine Patre. (5) Et tamen non sicut Filius de Patre, ita Pater de Filio, quia non Pater a Filio, sed Filius a Patre generationem accepit. Filius ergo Deus de Patre, Pater autem Deus, sed non de Filio; Pater quidem Filii, non Deus de Filio: ille autem Filius Patris et Deus de Patre. Aequalis tamen per omnia Filius Deo Patri: quia nec nasci coepit aliquando, nec desiit. (6) Hic etiam unius cum Patre substantiae creditur, propter quod et Patri dicitur, hoc est eiusdem cum Patre substantiae; enim graece unum, vero substantia dicitur, quod utrumque coniunctum sonat ‘una substantia’. Nec enim de nihilo, neque de aliqua alia substantia, sed de Patris utero, id est, de substantia eius idem Filius genitus vel natus esse credendus est. (7) Sempiternus ergo Pater, sempiternus et Filius. Quod si semper Pater fuit, semper habuit Filium, cui Pater esset: et ob hoc Filium de Patre natum sine initio confitemur, (8) Nec enim eundem Filium Dei, pro eo, quod de Patre sit genitus, “desectae naturae portiunculam” 1 nominamus; sed perfectum Patrem, perfectum Filium sine diminutione, sine desectione genuisse asserimus, quia solius divinitatis est inaequalem Filium non habere. (9) Hic etiam Filius Dei natura est Filius, non adoptione 2 , quem Deus Pater nec voluntate nec necessitate genuisse credendus est; quia nec ulla in Deo necessitas capit [al. cadit], nec voluntas sapientiam praevenit.