DH 566
(1) … Soubemos que no Liber responsionis fidei nostrae, que por intermédio do regionário Pedro tínhamos mandado à Igreja romana, pareceu ao referido Papa [Bento II] que o primeiro capítulo tinha sido escrito por nós de modo imprudente, lá , onde em referência à essência divina dizemos: “A v o n t a d e g e r o u a v o n t a d e , como também a sabedoria, a sabedoria”; e preterindo isso no percurso de uma leitura pouco atenta, esse homem estimou que tivéssemos usado a expressão em sentido relativo ou no sentido de uma comparação com a mente humana; e por isso foi induzido a nos admoestar na sua resposta, dizendo: “Sabemos, quanto à ordem natural, que a palavra, como a razão e a vontade, tem origem na mente; e <os termos> não podem ser trocados no sentido de dizer: já que a palavra e a vontade procedem da mente, assim também a mente da palavra e da vontade”; e desta comparação pareceu ao Romano Pontífice que não se pode dizer “vontade da vontade”. A nossa afirmação, porém, não era no sentido de tal comparação com a mente humana e não em sentido relativo, mas em referência à essência: a vontade da vontade, como também a sabedoria da sabedoria. Para Deus, de fato, ser e querer é o mesmo, e querer e saber, o mesmo. Isto todavia não pode ser dito do homem. De fato, para o homem outra coisa é o que ele é sem o querer e outra coisa, o que ele quer mesmo sem o saber. Em Deus não é assim, pois que a natureza é tão simples que para ele o ser é o mesmo que o querer, que o saber …
(1) … Invenimus, quod in libro illo Responsionis fidei nostrae, quem per Petrum regionarium Romanae Ecclesiae miseramus, id primum capitulum iam dicto papae [Benedicto II] incaute visum fuisset a nobis positum, ubi nos secundum divinam essentiam diximus: “Vo l u n t a s g e n u i t v o l u n t a t e m sicut et sapientia sapientiam“; quod vir ille in incuriosa lectionis transcursione praeteriens existimavit, haec ipsa nomina iuxta relativum, aut secundum comparationem humanae mentis nos posuisse: et ideo ipsa renotatione sua ita nos admonere iussus est, dicens: “Naturali ordine cognoscimus, quia verbum ex mente originem ducit, sicut ratio et voluntas, et converti non possunt, ut dicatur: quia sicut verbum et voluntas de mente procedit, ita et mens de verbo aut voluntate”; et ex ista comparatione visum est Romano Pontifici, voluntatem ex voluntate non posse dici. Nos autem non secundum hanc comparationem humanae mentis, nec secundum relativum, sed secundum essentiam diximus: Voluntas ex voluntate, sicut et sapientia ex sapientia. Hoc enim est Deo esse, quod velle: hoc velle, quod sapere. Quod tamen de homine dici non potest. Aliud quippe est homini id, quod est sine velle, et aliud velle etiam sine sapere. In Deo autem non est ita, quia simplex ita natura est, et ideo hoc est illi esse, quod velle, quod sapere. …