Denzinger · DH 572

DH 572

(22) É evidente, pois, que o Filho mesmo de Deus, gerado do Pai não gerado, verdadeiro do verdadeiro, perfeito do perfeito, uno do uno, inteiro do inteiro, Deus sem início, assumiu um homem perfeito da santa e inviolada sempre virgem Maria. (23) Como lhe atribuímos a perfeição do homem, assim não menos cremos que nele há também duas vontades, uma da sua divindade, outra da nossa humanidade; (24) isso é também declarado com toda clareza nos dizeres dos quatro evangelistas em que fala o nosso Redentor; ele, de fato, se exprimiu assim: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice, todavia não como eu quero mas como tu queres” [Mt 26,39]; e ainda: Não vim para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou [cf. Jo 6,38] … (25) Com estas palavras, ele mostra também que a sua vontade, ele a referiu ao homem assumido, mas aquela do Pai, à divindade, na qual ele é uno e igual ao Pai. De fato, no que concerne à unidade da divindade, a vontade do Pai não é diferente da do Filho, pois onde há uma só divindade, há uma só vontade. Quanto, porém, à natureza do homem assumido, outra é a vontade da sua divindade e outra a da nossa humanidade. (26) Por isso, nesta sua expressão: “Não como eu quero, mas como tu <queres>” [Mt 26,39], ele mostra claramente não querer que aconteça o que falava sob influxo da vontade humana, mas aquilo por que descera à terra segundo o querer do Pai; mas a vontade do Pai não é de modo algum oposta à vontade do Filho, pois aqueles que têm uma só divindade não podem ter uma vontade diferente; e onde na natureza não pode haver diversidade alguma, lá contudo pode, de modo geral, ser enumerado algum número.

Latim

(22) Ipse vero Dei Filius ab ingenito Patre genitus, a vero verus, a perfecto perfectus, ab uno unus, a toto totus, Deus sine initio, perfectum hominem de sancta et inviolata Maria semper virgine adsumpsisse est manifestus. (23) Cui etiam, sicut hominis perfectionem adscribimus, ita duas ei voluntates inesse, unam divinitatis suae, aliam humanitatis nostrae, nihilominus credimus: (24) quod etiam per quatuor Evangelistarum oracula eiusdem Redemptoris nostri affatu evidentissime declaratur; sic enim fatus est dicens: “Pater mi, si possibile est, transeat a me calix iste; verumtamen non sicut ego volo, sed sicut tu” vis [Mt 26,39]; et iterum: Non veni voluntatem meam facere, sed voluntatem eius, qui misit me [cf. Io 6,38] … (25) Quibus etiam adlocutionibus demonstrat suam voluntatem ad hominem retulisse se adsumptum, Patris ad divinitatem, in qua est idem unus et aequalis cum Patre: quippe quantum ad divinitatis adtinet unitatem, non est alia voluntas Patris, alia Filii; una enim est voluntas, ubi una persistit divinitas. Quantum autem ad hominis naturam adsumpti alia est voluntas deitatis suae, alia etiam humanitatis nostrae. (26) Proinde in hoc quod ait: “Non sicut ego volo, sed sicut tu” [Mt 26,39], patule ostendit non velle id fieri quod voluntate humani loquebatur affectus, sed propter quod ad terras paterna voluntate descenderat, cuius tamen Patris voluntas nequaquam contraria Filii voluntati exstitit, quia quibus est divinitas una, non potest esse voluntas diversa; et ubi in natura nihil potest diversitatis accidere, ibi nihilominus enumerantur generaliter aliqua numerosa.

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