DH 629
Ora, como Deus, que tudo vê de antemão, certamente soube e predestinou com antecedência a pena que segue a culpa deles, já que ele é justo e junto dele, como diz santo Agostinho 1 , existe de todas as coisas, sem exceção, tanto um juízo determinado, quanto uma presciência segura. Com isto concorda sem dúvida o sábio ditado: “Para os zombeteiros estão preparados os juízos, e martelos para golpear os corpos dos estultos” [Pr 19,29]. Desta imutabilidade da presciência e da predestinação de Deus, pela qual junto dele as coisas futuras já aconteceram, se compreende bem o que é dito no Eclesiastes: “Aprendi que todas as obras que Deus fez duram para sempre. A elas nada podemos acrescentar, nem nada tirar ao que Deus fez, para que ele seja temido” [Ecl 3,14]. “Mas que alguns pelo poder divino sejam predestinados ao mal”, isto é, no sentido de que não possam ser diferentes, isto “não só não o cremos, mas, se há outros que querem crer coisa tão maligna”, como o Sínodo de Orange “com toda a reprovação lhes dizemos: anátema” [*397].
Poenam sane malum meritum eorum sequentem, uti Deum, qui omnia prospicit, praescivisse et praedestinasse, quia iustus est, apud quem est, ut sanctus Augustinus 1 ait, de omnibus omnino rebus tam fixa sententia quam certa praescientia. Ad hoc siquidem facit Sapientis dictum: “Parata sunt derisoribus iudicia, et mallei percutientes stultorum corporibus” [Prv 19,29]. De hac immobilitate praescientiae et praedestinationis Dei, per quam apud eum futura iam facta sunt, etiam apud Ecclesiasten bene intelligitur dictum: “Cognovi, quod omnia opera, quae fecit Deus, perseverent in perpetuum. Non possumus his addere nec auferre, quae fecit Deus, ut timeatur” [Ecl 3,14]. “Verum aliquos ad malum praedestinatos esse divina potestate”, videlicet ut quasi aliud esse non possint, “non solum non credimus, sed etiam si sunt, qui tantum mali credere velint, cum omni detestatione”, sicut Arausica Synodus, “illis anathema dicimus” [*397].