DH 772
Mesmo se a fé errônea dos judeus deva ser desaprovada de muitos modos, todavia, já que por meio deles a nossa fé é verazmente confirmada, não devem ser duramente oprimidos pelos crentes … . Como, portanto, aos judeus não deve ser permitido, nas suas sinagogas, pretender nada que ultrapasse o que por lei lhes é permitido, assim não devem sofrer nenhum dano nas coisas que lhes são concedidas. Nós, portanto, ainda que eles prefiram permanecer na sua dureza a reconhecer os oráculos dos profetas e os arcanos <mistérios> da Lei e assim chegar ao conhecimento da fé cristã, mas entretanto pedem o auxílio da nossa defesa de acordo com a mansidão da piedade cristã, seguindo as pegadas dos Romanos Pontífices nossos predecessores de feliz memória, Calisto [II], Eugênio [III], Alexandre [III], Clemente [III] e Celestino [III], acolhemos o seu pedido e concedemos a eles o escudo da nossa proteção. Ordenamos, de fato, que nenhum cristão os force com a violência a procurar, de má vontade ou contra a vontade, o batismo; mas, se qualquer um deles, espontaneamente ou por causa da fé, se tiver refugiado junto dos cristãos, depois de manifestada sua vontade, sem nenhuma incomodação seja feito cristão. De fato, não se crê que tenha a verdadeira fé da cristandade aquele do qual se sabe que chegou ao batismo dos cristãos, não espontaneamente, mas contra a vontade. Além disso, nenhum cristão, sem sentença da autoridade territorial, ouse de modo indigno ofender as suas pessoas, ou subtrair com violência os seus bens, ou modificar os bons costumes que até agora têm observado na região em que habitam. Ademais, ninguém os perturbe de modo algum com pancadas ou com pedras na celebração de suas festas, nem alguém pretenda exigir ou extorquir deles serviços não devidos, senão aqueles que eles mesmos estavam acostumados a fazer nos tempos passados. E mais, opondo-nos à depravação e à avareza de gente malvada, decretamos que nenhum ouse profanar ou danificar os cemitérios dos judeus ou desenterrar corpos para tirar dinheiro. … [Ficam excomungados os que violam este decreto.] Ao contrário queremos que ao menos estes se beneficiem desta proteção, que não se atreverem a tramar nada para a subversão da fé cristã. 269
Licet perfidia Iudaeorum sit multipliciter improbanda, quia tamen per eos fides nostra veraciter comprobatur, non sunt a fidelibus graviter opprimendi … . Sicut ergo Iudaeis non debet esse licentia in synagogis suis, ultra quam permissum est lege, praesumere, ita in his, quae sunt illis concessa, nullum debent praeiudicium sustinere. Nos ergo, licet in sua magis velint duritia perdurare quam vaticinia prophetarum et Legis arcana cognoscere atque ad christianae fidei notitiam pervenire, quia tamen Nostrae postulant defensionis auxilium, ex christianae pietatis mansuetudine, praedecessorum Nostrorum felicis memoriae Calixti [II], Eugenii [III], Alexandri [III], Clementis [III] et Caelestini [III] Romanorum Pontificum vestigiis inhaerentes, ipsorum petitionem admittimus eisque protectionis Nostrae clypeum indulgemus. Statuimus enim, ut nullus Christianus invitos vel nolentes eos ad baptismum per violentiam venire compellat; sed si eorum quilibet sponte ad Christianos fidei causa confugerit, postquam voluntas eius fuerit patefacta, sine qualibet efficiatur calumnia Christianus. Veram quippe christianitatis fidem habere non creditur, qui ad Christianorum baptisma non spontaneus sed invitus cognoscitur pervenire. Nullus etiam Christianus sine potestatis terrae iudicio personas eorum nequiter laedere vel res eorum violenter auferre praesumat aut bonas quas hactenus in ea, in qua habitant regione, habuerint consuetudines immutare. Praeterea, in festivitatum suarum celebratione quisquam fustibus vel lapidibus eos ullatenus non perturbet, nec aliquis ab eis indebita servitia exigere vel extorquere contendat nisi ea, quae ipsi praeteritis facere temporibus consueverunt. Ad haec, malorum hominum pravitati et avaritiae obviantes, decernimus, ut nemo coemeterium Iudaeorum mutilare audeat vel minuere, sive obtentu pecuniae corpora effodere iam humata. … [Excommunicantur ii, qui hoc decretum violant.] Eos autem dumtaxat huius protectionis praesidio volumus communiri, qui nihil machinari praesumpserint in subversionem fidei christianae.