Denzinger · DH 1350

DH 1350

A Igreja crê firmemente, confessa e anuncia que t u d o o q u e f o i c r i a d o p o r D e u s é b o m 1 “e não se deve desprezar nada que se recebe com ação de graças” [1Tm 4,4]; pois, segundo a expressão do Senhor “não é aquilo que entra pela boca que faz o homem impuro” [Mt 15,11]; e afirma que aquela diferença da Lei mosaica entre alimentos puros e impuros diz respeito às normas cerimoniais, que foram superadas e anuladas com a anúncio do Evangelho. Também a ordem dos Apóstolos de abster-se “das carnes oferecidas aos ídolos, do sangue e das carnes sufocados” [At 15,29] era adaptada ao tempo no qual, de judeus e gentios, que antes viviam segundo ritos e costumes diversos, estava surgindo uma só Igreja; <era> a fim de que os gentios observassem algo em comum com os judeus e lhes fosse proporcionado unir-se em um só culto e em uma só fé em Deus e fosse eliminado um objeto de dissen- 371 são, porque aos judeus, por antiga tradição, o sangue e a carne sufocada pareciam coisas abomináveis e eles podiam pensar que os gentios, ao comerem coisas imoladas, estivessem voltando à idolatria. Mas, quando a religião cristã se difundiu de modo a não haver mais nela nenhum judeu segundo a carne, mas antes, com a passagem à Igreja, todos participavam dos mesmos ritos e cerimônias propostas pelo Evangelho, persuadidos de que “para os puros tudo é puro” [Tt 1,15], cessada a razão daquela proibição, cessou também o efeito. A Igreja declara, portanto, que nenhum dos alimentos em uso entre os homens deve ser condenado e que ninguém, homem ou mulher, deve fazer diferença entre os animais em função do modo como são mortos; todavia, para a saúde do corpo, o exercício da virtude e a disciplina religiosa e eclesiástica, muitas coisas, mesmo se não proibidas, podem e devem ser deixadas; pois, segundo o Apóstolo, “tudo é lícito, mas nem tudo é útil” [1Cor 6,12; 10,23]. A Igreja crê firmemente, confessa e anuncia que “nenhum dos que estão f o r a d a I g r e j a c a t ó l i - c a , não só os pagãos” 1 , mas também os judeus ou hereges e cismáticos, poderá chegar à vida eterna, mas irão para o fogo eterno “preparado para o diabo e para os seus anjos” [Mt 25,41], se antes da morte não tiverem sido a ela reunidos; <ela crê> tão importante a unidade do corpo da Igreja, que só para aqueles que nela perseveram os sacramentos da Igreja trazem a salvação e os jejuns, as outras obras de piedade e os exercícios da milícia cristã podem obter o prêmio eterno. “Nenhum, por mais esmolas que tenha dado, e mesmo que tenha derramado o sangue pelo nome de Cristo, poderá ser salvo se não permanecer no seio e na unidade da Igreja católica” 2 .

Latim

Firmiter credit, profitetur et praedicat, o m n e m c r e a t u r a m D e i b o n a m 1 , “nihilque reiciendum, quod cum gratiarum actione percipitur” [1 Tim 4,4], quia, iuxta verbum Domini, “non quod intrat in os, coinquinat hominem” [Mt 15,11], illamque Mosaicae legis ciborum mundorum et immundorum differentiam ad ceremonialia asserit pertinere, quae surgente Evangelio transierunt et efficacia esse desierunt. Illam etiam Apostolorum prohibitionem “ab immolatis simulacrorum et sanguine et suffocato” [Act 15,29] dicit illi tempori congruisse, quo ex Iudaeis atque gentilibus, qui antea diversis ceremoniis moribusque vivebant, una surgebat Ecclesia, ut cum Iudaeis etiam gentiles aliquid communiter observarent, et in unum Dei cultum fidemque conveniendi praeberetur occasio et dissensionis materia tolleretur, cum Iudaeis propter antiquam consuetudinem sanguis et suffocatum abominabilia viderentur et esu immolatitii poterant arbitrari gentiles ad idololatriam redituros. Ubi autem eo usque propagata est christiana religio, ut nullus in ea Iudaeus carnalis appareat, sed omnes ad Ecclesiam transeuntes in eosdem ritus Evangelii ceremoniasque conveniant, credentes “omnia munda mundis” [Tit 1,15], illius apostolicae prohibitionis causa cessante, etiam cessavit effectus. Nullam itaque cibi naturam condemnandam esse denuntiat, quem societas admittit humana, nec inter animalia discernendum per quemcumque, sive virum sive mulierem, et quocumque genere mortis intereant, quamvis pro salute corporis, pro virtutis exercitio, pro regulari et ecclesiastica disciplina possint et debeant multa non negata dimitti, quia, iuxta Apostolum, “omnia licent, sed non omnia expediunt” [1 Cor 6,12; 10,23]. Firmiter credit, profitetur et praedicat, “nullos extra catholicam Ecclesiam exsistentes, non solum paganos” 1 , sed nec Iudaeos aut haereticos atque schismaticos, aeternae vitae fieri posse participes, sed in ignem aeternum ituros, “qui paratus est diabolo et angelis eius” [Mt 25,41], nisi ante finem vitae eidem fuerint aggregati, tantumque valere ecclesiastici corporis unitatem, ut solum in ea manentibus ad salutem ecclesiastica sacramenta proficiant, et ieiunia, eleemosynae ac cetera pietatis officia et exercitia militiae christianae praemia aeterna parturiant. “Neminemque, quantascumque eleemosynas fecerit, etsi pro Christi nomine sanguinem effuderit, posse salvari, nisi in catholicae Ecclesiae gremio et unitate permanserit” 2 . [Seguem-se os decretos para os gregos e os Armênios].

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