DH 1406
Ultimamente, pois, não sem profundo desgosto para nossa alma, percebemos que alguns interpretaram essas palavras de modo menos exato e bem diverso daquela que foi e é Nossa intenção. … Nós, de fato, … não escrevemos ou declaramos aos supraditos prelados que a supradita indulgência plenária parece ajudar as almas que se encontram no purgatório tanto quanto se fossem feitas devotas orações pelas mesmas e fossem dadas pias esmolas; não que quiséssemos entender, como também não entendemos e nem mesmo queremos inferir, que a indulgência não aproveite ou valha mais que a as esmolas e orações, ou que as esmolas e as orações aproveitam e valem tanto quanto a indulgência ao 379 modo de sufrágio, dado que sabemos bem que as orações e as esmolas são extremamente diferentes da indulgência ao modo de sufrágio; mas Nós dissemos que ela tem valor “assim também”, isto é, daquele modo, “como se”, isto é, do modo pelo qual as orações e as esmolas têm valor. E, visto que as orações e as esmolas têm valor como sufrágios oferecidos às almas, Nós, a quem foi atribuída do alto a plenitude do poder, desejando oferecer auxílio e sufrágio ás almas do purgatório, do tesouro que resulta dos méritos de Cristo e dos seus Santos, a Nós confiado pela Igreja universal, concedemos a supradita indulgência, mas de tal modo que os fiéis ofereçam por aquelas almas o sufrágio que as mesmas almas dos defuntos não são capazes de cumprir em vantagem própria. Eis o que nos Nossos escritos temos entendido e entendemos …
Nuper vero non sine gravi animi Nostri displicentia intelleximus, nonnullos minus recte et longe aliter quam intentio Nostra fuerit aut sit, huiusmodi verba interpretatos esse. … Non enim Nos … ad supradictos praelatos scripsimus et declaravimus, supradictam indulgentiam plenariam animabus in purgatorio exsistentibus, acsi fierent pro eisdem devotae orationes piaeque eleemosynae efficerentur, videre prodesse, non quod intenderemus, prout nec intendimus, neque etiam inferre vellemus, indulgentiam non plus proficere aut valere quam eleemosynae et orationes, aut eleemosynas et orationes tantum proficere tantumque valere quantum indulgentia per modum suffragii, cum sciamus orationes et eleemosynas et indulgentiam per modum suffragii longe distare; sed eam “perinde” valere diximus, id est, per eum modum, “ac si” id est per quem orationes et eleemosynae valent. Et quoniam orationes et eleemosynae valent tamquam suffragia animabus impensa, Nos, quibus plenitudo potestatis ex alto est attributa, de thesauro universalis Ecclesiae, qui ex Christi Sanctorumque eius meritis constat, Nobis commisso, auxilium et suffragium animabus purgatorii afferre cupientes supradictam concessimus indulgentiam, ita tamen, ut fideles ipsi pro eisdem animabus suffragium darent, quod ipsae defunctorum animae per se nequeant adimplere. Haec in scriptis Nostris sensimus et sentimus …