DH 146
Deixa-nos pasmos que dizem de alguns de nós que, não obstante pareçam ter a respeito da Trindade uma compreensão piedosa, todavia a respeito do sacramento da nossa salvação … não pensam retamente. Afirma-se que dizem que nosso Senhor e Salvador tenha assumido da Virgem Maria um ser humano imperfeito, isto é, exceto o sentir. Oh! quanta proximidade com os arianos haverá em tal conceito! Estes dizem imperfeita a divindade no Filho de Deus, os outros afirmam falsamente uma humanidade imperfeita no Filho do Homem. Ora, se em cada caso foi assumido um homem imperfeito, é imperfeito o dom de Deus, imperfeita a nossa salvação, pois não é salvo o homem inteiro. Onde fica, então, aquela palavra do Senhor: “O Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” [Mt 18,11]? Inteiro quer dizer: na alma e no corpo, no sentir e em toda a natureza da sua substância. Portanto, o homem inteiro estava perdido, foi necessário que o que se perdera fosse salvo; mas, se foi salvo sem o sentir, resultará então, contra a fé do evangelho, que não foi salvo tudo o que estava perdido, já que em outro trecho o próprio Salvador diz: Estais irados comigo porque salvei o homem inteiro [cf. Jo 7,23]. Aliás, o próprio pecado principal e toda a perdição se coloca precipuamente no sentir do homem. Se o homem não tivesse antes de tudo perdido o sentir pelo qual podia escolher entre o bem e o mal, não morreria: como presumir então que não devesse ser salvo justamente aquilo que, como se reconhece, pecou primeiro? Nós, porém, que nos sabemos integral e perfeitamente salvos, professamos, segundo a fé da Igreja católica, que Deus perfeito assumiu o homem perfeito. a encarnação do Verbo
Illud sane miramur, quod quidam inter nostros dicantur, quia licet de Trinitate piam intellegentiam habere videantur, de sacramento tamen salutis nostrae … recta non sentiant. Adseruntur enim dicere, Dominum ac Salvatorem nostrum ex Maria virgine imperfectum, id est sine sensu hominem suscepisse. Heu quanta erit Arianorum in tali sensu vicinitas! Illi inperfectam divinitatem in Dei Filio dicunt, isti inperfectam humanitatem in hominis Filio mentiuntur. Quod si utique inperfectus homo susceptus est, inperfectum Dei munus est, inperfecta nostra salus, quia non est totus homo salvatus. Et ubi erit dictum illud dictum Domini: “Venit Filius hominis salvare quod perierat” [Mt 18,11]? Totus, id est in anima et corpore, in sensu atque in tota substantiae suae natura. Si ergo totus homo perierat, necesse fuit, ut id quod perierat, salvaretur; si autem sine sensu salvatus est, iam contra evangelii fidem invenietur, non totum, quod perierat, esse salvatum, cum alio loco ipse Salvator dicat: Irascimini mihi, quia totum hominem salvum feci [cf. Io 7,23]. Quid quod ipsius principalis delicti et totius perditionis summa in hominis sensu consistit. Primum enim hominis sensus eligendi boni malique si non perisset, non moreretur: quomodo ergo praesumeretur in finem salvari minime debuisse, quod ante omnes peccasse cognoscitur? Nos autem, qui integros et perfectos salvatos nos scimus, secundum catholicae Ecclesiae professionem perfectum Deum perfectum suscepisse hominem profitemur. O Espírito Santo e